- Após a assinatura do acordo inicial, há prazo de sessenta dias para discutir os detalhes do acordo final, com possibilidade de extensão caso não haja acordo.
- O memorando de entendimento com quatorze pontos afirma que o Irã não terá armas nucleares, prevê suspensão de sanções e inclui compensação financeira, além de definir a discussão sobre o nuclear entre outras questões.
- No Líbano, o Irã exige cessar-fogo pleno; Israel mantém tropas a cerca de dez quilômetros ao sul e organizações locais denunciam ataques e deslocamentos de civis.
- Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para navios, com passagem gratuita por sessenta dias; o Irã promete reestabelecer o fluxo em trinta dias, apesar das minas no local.
- No programa nuclear, negociadores discutem o nível de enriquecimento permitido e como ficará o estoque de urânio; o Irã sustenta não buscar armas, enquanto os EUA buscam um acordo mais rigoroso que o de 2015.
O acordo entre Estados Unidos e Irã, firmado na última quarta-feira (17), prevê um regime de cessar-fogo de 60 dias para discutir os pontos pendentes do acordo final. O tema nuclear iraniano está entre os itens a serem negociados, junto a outras questões.
O Memorando de Entendimento, divulgado pelos EUA, tem 14 pontos. Entre eles estão garantias de que o Irã não obterá armas nucleares, suspensão de sanções e compensação financeira ao governo iraniano. Caso não haja acordo, o prazo é estendido por mais 60 dias.
O texto estabelece que os primeiros 60 dias funcionem como período de negociação com foco em chegar a um acordo definitivo. O acordo anterior criou tensões entre as potências, ainda sem assinatura de Israel, aliado dos EUA.
Líbano
Uma condição do Irã para o acordo foi um cessar-fogo pleno que englobasse o Líbano. Israel tem atacado o Líbano desde março, alegando combate ao Hezbollah, grupo alinhado a Teerã. As operações elevam o risco de escalada regional.
Relatos indicam danos a dezenas de milhares de imóveis libaneses e deslocamento de mais de um milhão de pessoas. Civis, jornalistas e profissionais de saúde têm sido atingidos em operações recentes, segundo relatos de organizações humanitárias.
Israel não assinou o acordo de paz e informou que manterá tropas numa faixa de cerca de 10 km ao sul do Líbano. A medida gera preocupação com a estabilidade da região e com o impacto humanitário.
Estreito de Ormuz
Entre os temas já acordados está a abertura do Estreito de Ormuz para navegação. O estreito é essencial para o escoamento de petróleo e gás e beneficia o comércio global. A passagem deve ocorrer de forma plena em 30 dias.
O acordo também prevê passagem gratuita de navios comerciais pelo estreito por 60 dias. O Irã administra o tráfego com Omã e chegou a cobrar pedágios, porém o reforço da livre circulação permanece sob negociação.
A controvérsia envolve manter o fluxo livre enquanto o Irã busca receitas para reconstrução de infraestrutura danificada. Os EUA defendem que o tráfego permaneça sem custos, como condição de estabilidade regional.
Programa nuclear iraniano
O ponto mais sensível está no programa nuclear. O Irã sustenta fins pacíficos e exige garantias de segurança e o fim de sanções econômicas para abrir mão do programa.
Durante os 60 dias, negotiadores discutirão o nível de enriquecimento de urânio permitido e a gestão do estoque atual. Estima-se que o Irã possua cerca de 11 toneladas de urânio, com parte já enriquecida acima de 60%.
O memorando mantém o Irã firme em não desenvolver armas nucleares, enquanto os EUA buscam um acordo mais robusto que o feito em 2015. Analistas avaliam que o Irã pode sair com maior poder de barganha após a fase de negociações.
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