- Haiti retorna à Copa do Mundo em 2026 após 52 anos, com Sébastien Migne comandando a equipe remotamente.
- O treinador nunca pisou no país devido à violência que domina a ilha, e comandou o time à distância com informações repassadas pela federação haitiana de futebol.
- O elenco conta com jogadores internacionais convocados, como Jean-Ricner Bellegarde, Josué Casimir, Hannes Delcroix e Wilson Isidor.
- Dados da ONU indicam mais de 1,6 mil mortos e 745 feridos no primeiro trimestre de 2026 no Haiti, com gangues respondendo por 27% das mortes, 4% a grupos de autodefesa e 69% por ações das forças de segurança.
- Especialista aponta que o Haiti vive a maior crise da história, com Estado não funcional e violência de gangues dificultando intervenção humanitária e governança.
O Haiti retorna à Copa do Mundo em 2026 após 52 anos, com Sébastien Migne no comando, ainda que de forma remota. A participação foi confirmada após o técnico ser confirmado em abril de 2024, mesmo sem pisar no país por motivos de segurança.
Os últimos dados do BINUH mostram violência persistente: no primeiro trimestre de 2026, mais de 1,6 mil pessoas morreram e 745 ficaram feridas. Gangues responderam por 27% das mortes, ações de autodefesa por 4% e operações de segurança por 69%.
Migne comentou em 2025 que não pode viajar ao Haiti por riscos graves, com a maioria das atividades ocorrendo de maneira remota. Segundo ele, não há voos internacionais que pousam no país, o que dificultou a presença física.
Conforme apuração da França Football, o treinador se guiou por informações telefônicas de dirigentes da federação haitiana para montar a equipe. A gestão remota envolveu ajustes estratégicos sem visitas ao terreno.
Entre os convocados, aparecem nomes com passagem por futebol europeu, como Jean-Ricner Bellegarde, Wolverhampton; Josué Casimir, Auxerre; Hannes Delcroix, Lugano; e Wilson Isidor, Sunderland. Eles integram o elenco que disputará o mundial.
Analista de Relações Internacionais destaca que o Haiti enfrenta a maior crise de sua história recente. O país estaria sob influência dos grupos armados, com impacto profundo na governança e na economia.
A instituição Viv Ansanm lidera ações de resistência territorial no país, enfrentando civis armados que se defendem e, ao mesmo tempo, resistem a missões humanitárias lideradas pela ONU e pelos EUA.
Segundo o pesquisador, a violência compromete eleições desde o assassinato do presidente em 2021, dificultando a consolidação de um Estado funcional. Ele lembra ainda que infraestrutura econômica e de abastecimento sofre com o domínio de gangues.
A situação humanitária dificulta tanto a vida cotidiana quanto o planejamento esportivo, uma vez que o Haiti depende de apoio externo para suprir necessidades básicas e assegurar condições para a participação internacional.
Entre na conversa da comunidade