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Veto da UE à carne exige solução, afirma pecuarista

Pecuarista afirma que, mesmo com suspeita de protecionismo, Brasil precisa organizar a cadeia produtiva e cumprir regras da UE sobre antimicrobianos para manter acesso

Foto: Christina Rufatto/Estadão
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  • Pedro de Camargo Neto afirma que o Brasil precisa se preparar para atender às exigências da UE sobre antimicrobianos e não vê a retirada da lista como protecionismo.
  • Ele diz que o país tem capacidade de atender às exigências e que é preciso ampliar o Sisbov e os protocolos de rastreabilidade.
  • O ciclo de vida do gado é longo, e há expectativa de possível antecipação do prazo para cumprir as normas, com avaliação de auditorias pela UE.
  • O pecuarista critica a falta de liderança e de concertação entre governo e setor produtivo para organizar a cadeia produtiva e os protocolos.
  • Além da UE, a China suspendeu cinco frigoríficos brasileiros por resíduos de substância vetada, reforçando a necessidade de controle rigoroso na cadeia de produção.

O veto da União Europeia à carne brasileira não é apenas uma questão de proteção ou retaliação comercial. Empresários do setor afirmam que o Brasil precisa se preparar para atender às exigências sanitárias e de rastreabilidade, mesmo diante de críticas sobre o tema.

Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast Agro, Pedro de Camargo Neto disse que não adianta classificar a medida como protecionista. Segundo ele, a legislação europeia sobre antimicrobianos existe há anos e o Brasil deve adaptar protocolos para continuar exportando.

Camargo Neto destacou que o Brasil tem condições de atender às exigências da UE, desde que haja organização eficaz das cadeias produtivas e ampliação do Sistema de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov). Ele lembrou que o sistema já atende a cotas existentes.

O ex-presidente da SRB e ex-secretário do Ministério da Agricultura afirmou que a rastreabilidade e as novas exigências de antimicrobianos devem ser incorporadas na prática pelos produtores e pelo setor frigorífico, com apoio do governo.

Segundo ele, o Brasil está entre os principais produtores de carne, e a certificação de origem precisa acompanhar a qualidade sanitária, ambiental e regulatória exigida pelos mercados externos. A ideia é evoluir sem abrir mão da conformidade.

Sobre o atraso na concertação entre setor produtivo e governo, Camargo Neto afirmou que faltou liderança para alinhar caminhos entre as cadeias de proteína animal e a indústria. Aponte que, mesmo diante de discordâncias, é necessário cumprir o timeline sanitário.

Quanto ao prazo para regularização, o pecuarista disse que o ciclo de vida do gado é longo e sugeriu buscar antecipação de prazos, sem desrespeitar as regras sanitárias. A meta é demonstrar seriedade e permitir auditorias da UE.

Sobre a atuação do governo, ele avaliou que houve esforço para recompor negociações, mas pontuou necessidade de mais agilidade. A defesa é manter a metas técnicas alinhadas aos prazos regulatórios.

Quanto aos riscos de uma saída permanente da lista, Camargo Neto disse que o Brasil pode se reorganizar e buscar outras oportunidades, ressaltando a importância de não permitir novos entraves. A ideia é reagir com planejamento.

Além da questão antimicrobiana, o caso recente envolve a China, que suspendeu cinco frigoríficos por resíduos de substâncias vetadas. Camargo Neto afirmou que o rigor e a credibilidade do serviço sanitário são cruciais para manter a reputação internacional.

Ao encerrar, ele reforçou que o Brasil precisa evoluir rapidamente na organização da cadeia produtiva, para não depender de ajustamentos reativos. A meta é que o país alcance não apenas a produção, mas a comprovação exigida pelos compradores globais.

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