- Werner Garbers Elias Pereira, o Neno, brasileiro, conheceu o Haiti em 2010 durante uma tragédia; o projeto acadêmico acabou interrompido pela violência e pelo terremoto que devastou o país.
- Hoje ele é diretor do Centro Cultural Brasil-Haiti, em Porto Príncipe, e dá aulas de português a haitianos, que também aprendem a língua pensando em imigração para o Brasil.
- Pereira também se aprofundou na cultura haitiana, aprendendo crioulo, envolvido com a umbanda e mantendo uma banda de percussão chamada Motif Mizik.
- O Haiti desperta nele fascínio pela história afro, pela língua criada (crioulo) e pela religião vodu; ele afirma que o país o acolheu de vez.
- Ao Brasil, ele retorna anualmente; no Haiti, ele planeja acompanhar o jogo entre Brasil e Haiti na Copa do Mundo, marcado para 19 de junho, no Centro Cultural Brasil-Haiti, com cerca de mil pessoas.
Werner Garbers Elias Pereira, conhecido como Neno, conheceu o Haiti em 2010, durante uma crise que marcou sua trajetória. Um projeto acadêmico na Unicamp seria interrompido por tragédias que teriam impacto permanente em sua vida. O que começou como três meses de pesquisa se tornou uma relação de longo prazo com o país caribenho.
Naquele dia 12 de janeiro, Pereira se aproximava da casa de um intelectual haitiano em Porto Príncipe quando houve um assassinato que marcou a cidade. Horas depois, um terremoto devastou parte do país, deixando cerca de 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados. A experiência o aproximou do povo haitiano e de suas tradições.
Hoje, o brasileiro está à frente do Centro Cultural Brasil-Haiti, em Porto Príncipe, instituição mantida pela Embaixada do Brasil. Além de diretor, ele leciona português para haitianos que sonham em imigrar para o Brasil. Estima-se que haja entre 150 mil e 200 mil haitianos no Brasil.
Conexão com o Haiti após a tragédia
Pereira descreve o Haiti como um marco de tragédias naturais e sociais. Após retornar ao Brasil para concluir os estudos, voltou ao país caribenho por meio de concurso público em 2012, assumindo o Centro Cultural Brasil-Haiti e, meses depois, a direção da instituição. Aprendeu crioulo e passou a comunicar-se sem depender do francês.
A relação dele com a cultura local vai além da língua. No Haiti, mergulhou na umbanda e no vodu, além de integrar a música local. Hoje participa de uma banda chamada Motif Mizik, atuando como percussionista e vocal. A experiência de vida é, para ele, uma forma de conexão com a história afrodescendente do país.
Copa do Mundo e vida no Haiti
O Haiti volta a figurar na narrativa com o impacto de uma partida da Copa do Mundo contra o Brasil marcada para a noite de 19 de junho. O Centro Cultural Brasil-Haiti planeja reunir cerca de mil pessoas para assistir ao jogo, com comidas típicas de ambos os países. O objetivo é celebrar a relação entre as duas culturas, independentemente do resultado.
Pereira demonstra um vínculo afetivo com o Brasil desde a infância. Quando não está trabalhando, costuma retornar ao Brasil uma vez por ano para descansar e ter contatos com a família. Mesmo diante de dificuldades, ele se diz integrado à sociedade haitiana, onde construiu amizades, projetos e um modo de vida que considera definitivo.
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