- A UE anunciou restrições a aço e soja; o Brasil não é alvo direto, mas não ficou isento delas.
- Do total de aço, a entrada sem tarifas caiu pela metade, para 18,3 milhões de toneladas métricas, e o imposto extracota subiu de 25% para 50%, com vigência a partir de 1º de julho.
- O óleo de soja passa a ser visto como indiretamente ligado ao desmatamento, o que reduz sua atratividade para biocombustíveis e pode impactar o consumo no setor de alimentos.
- Ameaça de veto à carne brasileira, válido a partir de setembro, tem gerado atritos, com o Itamaraty alertando que as novas barreiras podem comprometer concessões do acordo UE-Mercosul.
- A embaixadora Marian Schuegraf afirmou que, mesmo com o acordo, não é viável tratar o Brasil de forma diferenciada e que a resolução depende de informações a serem enviadas pelo lado brasileiro.
A embaixadora da União Europeia em Brasília, Marian Schuegraf, afirmou em entrevista à Folha nesta terça-feira que o acordo entre a UE e o Mercosul não viabiliza tratamento diferenciado ao Brasil nas novas restrições a aço, soja e carne. Ela explicou que o veto está em negociação e depende de informações do lado brasileiro. A posição ocorre mesmo com o acordo vigente entre os blocos.
As medidas da União Europeia visam reduzir a produção excessiva de aço, sobretudo causada pela China, reduzindo pela metade o volume de aço importado sem tarifas para 18,3 milhões de toneladas. O imposto sobre o aço extracota subiu de 25% para 50% e entra em vigor em 1º de julho. O objetivo é conter a concorrência global injusta.
A segunda restrição envolve proteções ambientais da UE: o óleo de soja passou a ser visto como indiretamente relacionado ao desmatamento, o que afeta sua elegibilidade como fonte renovável em biocombustíveis. Entidades especialistas projetam impacto também no consumo no setor de alimentos. O veto à carne brasileira, anunciado em maio, completa o quadro de atritos com o Brasil.
Itamaraty afirmou, no dia 4, que as barreiras ao aço e à soja podem restringir ou esvaziar concessões obtidas com o acordo UE-Mercosul. Sobre a possibilidade de tratamento diferenciado, Schuegraf disse que, quando a tarifa é aplicada globalmente, poupar apenas alguns países é difícil. Não houve, porém, encaminhamento de exceções.
Sobre o veto à carne, que entra em vigor em setembro, a diplomata destacou que não se deve interpretar de forma automática como desconfiança às intenções europeias. Ela ressaltou que a UE adotou a medida para enfrentar a resistência antimicrobiana, problema que causa cerca de 5 milhões de mortes anuais globalmente.
Schuegraf afirmou que a UE tem interesse em que o Brasil cumpra as exigências sanitárias e ambientais para colaborar com uma solução global. A diplomata participa da 23ª Conferência de Segurança Internacional do Forte, realizada no Rio de Janeiro, onde reforçou que a resolução depende de informações vindas do Brasil.
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