- Em 2025, entradas de haitianos no Brasil somaram 17.589, frente a 9.835 em 2024, uma alta de cerca de 79%; no início de 2026, já foram registrados 7.888 passos no país apenas nos três primeiros meses.
- O principal impulso é a reunião familiar, aliado à crise no Haiti e ao endurecimento de rotas migratórias para o Norte Global.
- Chegadas por voos fretados têm sido comuns, com registros em cidades como Viracopos, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.
- O acesso ao visto de acolhida humanitária enfrenta entraves jurídicos: mudanças em portarias e a ainda inexistência de regulamentação específica de patrocínio comunitário para haitianos.
- OIS (Agência da ONU para Migrações) tem atuado para recepção, registro e encaminhamentos, mas persistem desafios de moradia, documentação, idioma e integração social.
O fluxo de haitianos no Brasil apresentou aumento expressivo em 2025, com 17.589 entradas registradas, ante 9.835 em 2024, conforme dados do Sistema de Tráfego Internacional. A alta se intensificou no início de 2026, segundo o monitoramento do STI/PF/MJSP.
Especialistas apontam que a crise no Haiti, o endurecimento de rotas para o Norte Global e o objetivo de reunião familiar ajudam a explicar o crescimento. O movimento inclui haitianos já estabelecidos no Brasil que buscam reunir famílias e consolidar projetos de vida no país.
Em 2025, o segundo semestre concentrou boa parte das entradas, com 2.825 registros em novembro e 3.536 em dezembro, o maior volume mensal da série. Nos três primeiros meses de 2026, foram contabilizadas 7.888 entradas.
Dados e contexto
Caio Serra, assistente de projetos da OIM, vincula o aumento à continuidade da crise no Haiti. Ele lembra que o Brasil criou, em 2012, o visto por razões humanitárias para regularizar entradas em função de calamidades no Haiti.
A atuação da ONU no Haiti influenciou a relação entre Brasil e haitianos. O país passou a ser visto como destino viável para quem busca trabalho, reorganização familiar e reconstrução de projetos de vida.
A entrada de haitianos por meio de voos fretados é mencionada pelo especialista, com chegadas semanais a cidades como Viracopos, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, para fins de reunião familiar.
Reunião familiar e novas rotas
Ele destaca que o Brasil é visto como trampolim por muitos haitianos, diante das restrições migratórias em países do Norte Global. O endurecimento de fronteiras torna a travessia mais cara e arriscada, elevando o interesse pelo Brasil.
A comunidade haitiana já estabelecida no Brasil facilita o fluxo de migração. Segundo Caio, muitas famílias se reúnem com parentes que já vivem no país, o que sustenta o movimento recente.
Desafios logísticos aparecem para municípios que recebem grandes grupos de haitianos, com necessidade de recepção, documentação e encaminhamentos. O governo acionou a OIM para o acompanhamento de casos e integração.
Desafios de integração e aspectos legais
A permanência brasileira impõe moradia, documentação, idioma e acesso a serviços públicos. Em São Paulo, haitianos costumavam buscar regularização migratória, benefícios, moradia e saúde no Crai da prefeitura.
A língua criada haitiana costuma ser o criolo, o que representa barreira de comunicação. Muitos haitianos já contam com filhos nascidos no Brasil, o que facilita a inserção no mercado de trabalho regional.
No âmbito jurídico, mudanças recentes dificultam o acesso ao visto de acolhida humanitária. Portarias de 2024 e 2025 disciplinaram vistos temporários, autorização de residência e visto eletrônico com vínculos familiares, mas o patrocínio comunitário ainda não foi regulamentado para haitianos.
Caio aponta que, sem norma específica para haitianos, a reunião familiar permanece como principal via regular de entrada. A ausência de edital para o programa de acolhida humanitária dificulta a regularização efetiva.
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