- Evo Morales, ex‑presidente e líder da esquerda, acompanha a crise da Bolívia dos bastidores, de um local sigiloso na região de Chapare.
- Com 50 dias de bloqueios em rodovias promovidos por sindicatos e povos indígenas, o país enfrenta desabastecimento e várias regiões permanecem paralisadas.
- As ações disruptivas deixaram pelo menos 14 mortos, atingiram combustível, alimentos e suprimentos médicos, e pressionam o governo de centro‑direita de Rodrigo Paz.
- Paz cortou subsídios aos combustíveis para reduzir o déficit e negocia com o FMI; medidas para estabilizar preços foram adotadas, mas os bloqueios persistem.
- Morales, sem fazer campanha ativa, disse que o retorno à política é possível e afirmou que, se não houver solução pelo voto, poderá haver uso de violência: “Se não quiserem resolver pelo voto, será pelas balas.”
Nos bastidores da crise política na Bolívia, Evo Morales aguarda em um local rural sigiloso, enquanto o país enfrenta 50 dias de bloqueios. O ex-presidente lidera uma força histórica da esquerda, que segue influente mesmo após sua saída do poder. O governo de Rodrigo Paz, de centro-direita, enfrenta protestos, cortes de subsídios e desgaste econômico.
Os bloqueios, organizados por sindicatos e grupos indígenas, paralisaram rodovias e comprometeram abastecimento de combustíveis, alimentos e remédios. A tensão aumentou com a crise econômica e as negociações com o FMI para um pacote de resgate financeiro. Morales afirma manter contato com manifestantes e pondera sobre um retorno à política, sem afirmar campanha ativa.
As ações de Paz começaram com cortes de subsídios aos combustíveis para reduzir o déficit, em meio a escassez de dólares. O governo recuou em reformas agrárias impopulares, mas a pressão persiste. Sindicatos exigem reajustes salariais, concurso para suprir estoques e a renúncia do presidente, ampliando o movimento.
Desenvolvimento político
Em La Paz, o cenário é de tensão. A cidade registra comércio lento, hospitais com problemas de insumos e supermercados com prateleiras vazias. A inflação local impacta famílias, com aumentos expressivos em itens básicos. Restaurantes fecham parcialmente diante da queda no movimento.
A influência de Morales permanece como fator nas negociações entre governo e sindicatos. Paz adota postura de diálogo, recebendo líderes trabalhistas para buscar saída pacífica ao impasse, enquanto evita revelar planos específicos para romper a paralisação.
Contexto social e humano
Organizações médicas relatam dificuldades no atendimento e no transporte de pacientes, agravando casos de doença grave. Pacientes e familiares relatam atraso no acesso a medicamentos essenciais, incluindo tratamentos oncológicos, pressionando autoridades a agir com urgência.
Conflito político e dificuldades econômicas alimentam descontentamento popular. Morales não se apresenta como candidato, mas sua atuação histórica alimenta o debate sobre elegibilidade e participação eleitoral futura, em meio a pedidos de transição com garantias para diferentes grupos.
Morales indica que renúncia de Paz e novas eleições seriam caminhos possíveis, ressaltando a importância de buscar consensos. Ao mesmo tempo, alerta sobre riscos de escalada caso a oposição seja isolada do processo eleitoral, sem, porém, defender medidas extremas.
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