- Grupos armados que substituíram as Farc estão focados no tráfico de drogas, expandindo produção de cocaína e os mercados, com impacto em várias regiões.
- A produção de cocaína na Colômbia mais que triplicou na última década, e a Europa passou a consumir mais cocaína, elevando apreensões e crimes relacionados.
- A área cultivada de coca na Colômbia aumentou cerca de cinquenta por cento entre 2018 e 2023, segundo a ONU, após a proibição da fumigação aérea.
- Críticos afirmam que a implementação da Paz Total falhou, com aumento de extorsões e sequestros, e o número de pessoas ligadas a grupos armados subiu de 12.883 em 2018 para 27.121 no ano passado.
- Nas eleições, candidatos defendem caminhos opostos: Cepeda propõe continuidade de negociações, enquanto De La Espriella promete neutralizar líderes do crime, com apoio de Washington para uma possível nova versão do programa de ajuda militar.
O conflito na Colômbia voltou a ganhar dimensão com a expansão de organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, substituindo as Farc no controle de territórios e rotas. Em Cauca, no sudoeste, a violência aumentou desde o início do processo de paz, em 2016, e hoje grupos armados, movidos por interesses econômicos, disputam espaço com a população local.
Esses grupos terciários, que não buscam a ideologia marxista, ampliaram a produção de cocaína e criaram mercados internacionais, especialmente na Europa. A intensificação das operações ocorreu após mudanças nas estratégias de erradicação e no uso de redes logísticas para o transporte da droga.
Expansão territorial e novos mercados
A área plantada com coca cresceu cerca de 50% entre 2018 e 2023, segundo a ONU, alcançando 253 mil hectares. A fumigação aérea, proibida por decisão judicial, acelerou o crescimento da produção e abriu espaço para maior diversificação de rotas e cooptação de redes criminosas locais.
A Europa acumula aumento significativo na disponibilidade de cocaína e nos crimes associados. A União Europeia já registrou recordes de apreensões e observadores destacam que o consumo europeu cresce, mantendo pressão sobre redes globais de narcotráfico.
Mudanças políticas e resposta institucional
A liberalização do território durante a era pós-Farc levou a disputas entre grupos armados, com impactos diretos na vida de comunidades como a de Toribio. A estratégia de paz adotada pelo governo, chamada de Paz Total, enfrentou críticas por supostamente não conter a expansão criminosa. Autoridades apontam falhas de coordenação e objetivos pouco claros.
A violência criminosa inclui extorsões e sequestros cada vez mais comuns, mesmo com queda de homicídios em comparação aos anos 1990. O número de pessoas envolvidas em grupos armados aumentou significativamente, elevando a pressão sobre políticas de segurança e desenvolvimento.
Perspectivas para a região e para o país
Analistas ressaltam que, sem uma interface entre ações militares e políticas de desenvolvimento, a violência tende a persistir. Propostas variam entre intensificar ações de combate ao narcotráfico e ampliar substituição de cultivos, com maior presença policial e investimento social.
No debate eleitoral, candidatos divergem sobre a melhor abordagem. Um candidato de esquerda defende continuidade da negociação, enquanto o rival defende neutralizar ou capturar líderes do crime organizado, com promessas de planos de longo prazo para restabelecer o controle do território.
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