- Victor Hugo Quero Navas foi detido em 3 de janeiro de 2025 sob acusações de traição à pátria, conspiração e terrorismo, e permaneceu desaparecido dentro do sistema prisional venezuelano.
- A mãe dele, Carmen Navas, de 81 anos, percorreu várias prisões e órgãos oficiais em busca de informações, enfrentando evasivas e silêncio institucional.
- Segundo a organização Provea, Victor Hugo tornou-se o 27º preso político a morrer sob custódia do Estado desde 2024; ele faleceu em 23 de julho de 2025 e foi enterrado perto de Caracas.
- Em maio, o Ministério de Assuntos Penitenciários confirmou a morte e alegou que o falecimento ocorreu por dados de filiação não informados; pouco antes, um pedido de anistia foi negado pela legislação, mesmo sabendo da morte.
- Dados do Foro Penal indicam que, desde 2014, mais de 14 mil pessoas foram detidas por razões políticas, e pelo menos 429 permaneciam presas até 19 de maio; a história de Carmen simboliza falhas morais do sistema e direitos humanos.
Victor Hugo Quero Navas, comerciante de 64 anos, foi preso na Venezuela em 3 de janeiro de 2025 sob acusações de traição à pátria, conspiração e terrorismo. Desde então, ficou sem contato com a família e sem informações claras sobre seu paradeiro ou estado de saúde.
Carmen Navas, mãe do detido, de 81 anos, passou meses buscando respostas em centros de detenção em Caracas e enfrentando negativas, silêncio institucional e relatos de intimidações. A busca ocorreu apesar de a família já saber, segundo registros posteriores, que Victor Hugo estava morto.
Segundo a organização Provea, Victor Hugo Quero é a 27ª pessoa a morrer sob custódia do Estado venezuelano desde 2024, com 27 mortes oficiais registradas nesse período. A família relatou dificuldades para obter informações consistentes ao longo do tempo.
Exigência de respostas e obstáculos
Carmen visitou unidades como a prisão El Rodeo I, fez denúncias públicas e procurou apoio de jornalistas e de organizações de direitos humanos. Em várias ocasiões, recebeu respostas vagas ou evasivas das autoridades, com relatos conflitantes sobre o status do filho.
Em comunicado do Ministério de Assuntos Penitenciários divulgado em 7 de maio, foi informado que Victor Hugo havia falecido em 23 de julho de 2025 e foi enterrado nas proximidades de Caracas. A família questionou a justificativa apresentada pela defesa de filiação inadequada.
Anistia e estados de saúde
Antes da confirmação da morte, Carmen pediu ao filho que fosse beneficiado pela Lei de Anistia para a Convivência Democrática, aprovada pelo Parlamento em fevereiro. O pedido foi negado, sob a alegação de que Victor Hugo não atendia aos critérios legais, mesmo com a confirmação posterior de seu falecimento.
Trata-se de um caso que evidencia falhas institucionais, opacidade administrativa e dificuldades de comunicação entre o Estado e familiares de detidos. Observadores destacam que esse padrão não é isolado e envolve questões estruturais no sistema de justiça venezuelano.
Panorama nacional
Dados da Foro Penal apontam que, desde 2014, mais de 14 mil pessoas foram detidas por razões políticas na Venezuela. Até 19 de maio, pelo menos 429 permaneciam presas. As informações refletem um contexto de instrumentação estatal e controle social, segundo organizações de direitos humanos.
A história de Carmen Navas e Victor Hugo Quero é marcada pela dificuldade de confirmar informações, pela demora na comunicação oficial e pela continuidade de denúncias sobre condições de detenção e tratamento de presos políticos. Em meio a esse cenário, organizações civis e imprensa independente continuam monitorando o caso e outras situações similares.
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