- Acnur informou que os pedidos de asilo no Brasil subiram 11% em 2025, com avanços em permanência legal, emprego, serviços e inclusão.
- Na América, o total de refugiados chegou a 22,8 milhões, liderados por venezuelanos acolhidos por países da região.
- Em todo o mundo, mais de 117 milhões de pessoas seguem deslocadas; a data de alerta é o Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho.
- No Rio de Janeiro, a feira Rio Refugia, realizada no Sesc Tijuca entre 20 e 21 de junho, reuniu refugiados de nove países que atuam como expositores.
- O Pares Cáritas, organização que recebe os refugiados, diz que o Brasil tem leis de acolhimento exemplar, mas há gargalos na reinserção profissional e no reconhecimento de diplomas.
O Dia Mundial do Refugiado é marcado pela divulgação de dados da Acnur. Em 2025, os pedidos de asilo no Brasil cresceram 11%, segundo a agência, que também aponta avanços nas políticas de permanência legal, emprego, serviços e inclusão.
A tendência de aumento de solicitações ocorre na América, onde o deslocamento forçado ficou em destaque no ano passado, superando a África Oriental, a África Austral e o Oriente Médio. Na região, o volume de refugiados chegou a 22,8 milhões, com venezuelanos liderando os atendimentos.
Mais uma vez, Davide Torzilli, representante da Acnur no Brasil, enfatizou a necessidade de soluções de longo prazo e autonomia para quem busca proteção. Ele afirmou que o mundo precisa ampliar acesso a trabalho formal, reconhecimento de qualificações e oportunidades de formação.
A organização destacou que, apesar da queda recente do deslocamento global, o número de pessoas deslocadas ainda é alarmante, superior a 117 milhões. A Acnur reforçou o chamado por políticas de inclusão que protejam indivíduos e a sociedade como um todo.
No Rio de Janeiro, a data foi lembrada pela feira Rio Refugia, organizada pelo Sesc RJ, Abraço Cultural e PARES Cáritas RJ. O evento ocorre no Sesc Tijuca, nos dias 20 e 21 de junho, das 10h às 18h, com atividades gastronômicas, artes e oficinas.
Todas as exibições são de refugiados que residem no Brasil, vindos de Venezuela, Colômbia, Angola, Congo, Síria, Nigéria, Irã, Cuba e Líbano. Expositores e mediadores fortalecem o intercâmbio cultural entre as comunidades.
Entre os destaques, a venezuelana Mili Yanes compartilha a experiência de viver entre Brasil e Venezuela desde 2016, destacando a construção de uma vida estável no país. Ela ressalta a importância do acolhimento para a integração.
Anitha Agossou, do Benim, ministrou uma oficina de turbantes ao lado de Sylivia Korberwa, de Uganda. O duo chegou ao Brasil em 2019 e hoje ministra idiomas em projetos de acolhimento, além de trabalhar para apoiar a integração.
Sylivia, com formação em assistência social, enfatiza que muitas refugiadas chegam com qualificação e experiência. Ela também destaca a necessidade de reconhecer diplomas no Brasil, para ampliar oportunidades profissionais.
O Pares Cáritas atua como primeiro ponto de acolhimento no Rio, oferecendo informações sobre regularização, acesso a direitos e educação. Em 2025, a instituição atendeu cerca de 1,2 mil pessoas, de quase 60 nacionalidades, no primeiro trimestre.
Aline Thuler, coordenadora do Pares Cáritas, reconhece avanços legais no acolhimento, mas aponta gargalos na prática. Falta familiarização de profissionais com a realidade de refugiados, o que dificulta atendimento e matrícula escolar.
Outro desafio destacado é a reinserção profissional. Mesmo com formação, muitos refugiados enfrentam barreiras para validar diplomas, exigindo documentação difícil de obter, o que aumenta a vulnerabilidade e o risco de exploração.
Thuler alerta para a necessidade de sensibilizar empresas. Ela propõe que empregadores entendam que refugiados têm direitos iguais aos trabalhadores brasileiros e não se tratam de pessoas ilegais, fortalecendo assim o mercado de trabalho inclusivo.
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