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Programa nuclear do Irã é ponto delicado do acordo de paz com EUA

Irã mantém onze toneladas de urânio em estoque, com enriquecimento próximo de sessenta por cento, aumentando a pressão por um acordo mais restritivo com os EUA

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  • EUA e Irã assinaram, nesta semana, um memorando de entendimento com 14 pontos, incluindo garantias de que Teerã não terá armas nucleares e suspensão de sanções norte-americanas, com um cessar-fogo de 60 dias para negociações do acordo definitivo.
  • O Irã mantém estoque de urânio em torno de 11 toneladas, com cerca de 410 kg enriquecidos a até 60%, conforme dados da Agência Internacional de Energia Atômica.
  • O acordo assinado em 2015, formalmente Plano de Ação Conjunto e Completo, reduzia centrífugas, limitava enriquecimento, reduzía estoque de urânio e previa inspeções rigorosas em troca do levantamento de sanções.
  • O governo de Donald Trump retirou os EUA do acordo em 2018 e retomou sanções, levando o Irã a aumentar o desempenho do seu programa nuclear desde então.
  • Analistas apontam que, após a guerra recente, o Irã chega à mesa com maior poder de barganha, o que dificulta fechar um acordo mais restritivo aos moldes de Obama.

O programa nuclear do Irã é considerado o ponto mais delicado nas negociações entre EUA e Irã para um acordo de paz. Um memorando de entendimento assinado nesta semana sugere princípios para reduzir tensões, sem fechar detalhes definitivos. O texto prevê garantias contra armas nucleares, suspensão de sanções e compensação financeira, com um prazo inicial de 60 dias para avançar nas tratativas.

O anúncio envolve o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o governo dos EUA. As negociações ocorrem em meio a anos de desconfiança mútua sobre o uso pacífico do enriquecimento de urânio. A assinatura ocorreu após meses de acúmulo de divergências entre as partes.

O Irã afirma que o programa nuclear terá fins estritamente pacíficos. A AIEA aponta preocupações sobre atividades anteriores e o avanço do enriquecimento. Atualmente o Irã mantém cerca de 11 toneladas de urânio em estoque, com parte enriquecida a 60%.

Entre 2015 e 2018, o acordo histórico, conhecido como JCOPA, limitou centrífugas, enriquecimento e estoques em troca do levantamento de sanções. O acordo foi assinado em Viena por Iran, EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha.

A retirada dos EUA em 2018 sob a gestão de Donald Trump reacendeu o programa iraniano, com o consequente aumento do estoque de urânio enriquecido e a retomada de capacidades de enriquecimento. A reação iraniana incluiu críticas ao que chamou de acordo permissivo.

Segundo fontes oficiais, o memorando de entendimento estabelece que Teerã não produzirá nem obterá armas nucleares. Os EUA, por sua vez, se comprometem a tratar o estoque de urânio de forma acordada entre as partes, ainda a definir.

Analistas ressaltam que o Irã sai das conversas com maior poder de barganha, após demonstrar resiliência durante conflitos regionais. O desafio agora é chegar a um texto definitivo com regras de verificação e cronogramas de implementação.

A comunidade internacional observa com cautela. O acordo não trata, de imediato, de questões de mísseis balísticos ou de direitos humanos, que permanecem sob sanções e controvérsias. Ainda não há data para a conclusão dos entendimentos.

No centro da expectativa está a possibilidade de uma redução gradual de sanções, condicionada a resultados verificáveis. As partes devem definir mecanismos de inspeção, prazos e garantias de cumprimento para evitar rupturas futuras.

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