- Usuários russos contornam bloqueios usando VPNs e trocando entre dois celulares para acessar apps como WhatsApp e MAX, controlado pelo Estado.
- O Kremlin intensificou o monitoramento e bloqueios, o que já afetou serviços bancários, de transporte e comércio.
- A popularidade de Vladimir Putin caiu de 75,1% em fevereiro para 65,6% em abril, com tendência de queda, e hoje fica em torno de 67%.
- Autoridades promovem a “soberania digital” e fontes oficiais dizem que o MAX pode ser utilizado para rastreamento, apesar de negações da VK.
- Em março, downloads de VPNs cresceram rapidamente, com 9,2 milhões de instalações nos cinco serviços mais populares, 14 vezes acima de março do ano anterior.
Em um café de Moscou conhecido pelo Wi-Fi gratuito, uma designer de interiores russa usa VPN para falar com amigos no exterior via WhatsApp, bloqueado no país. Em seguida, desativa a VPN para comprar passagem no site da Ferrovia Russa, que bloqueia quem oculta localização. Ela então troca de celular para checar mensagens no MAX, aplicativo controlado pelo Estado.
A prática de contornar restrições digitais ganhou ritmo desde o acirramento do controle estatal da internet. O Kremlin intensificou medidas para limitar serviços estrangeiros, citando soberania digital e segurança nacional.
Segundo detalhes apurados, muitos russos recorrem a VPNs e a múltiplos aparelhos para acessar plataformas como WhatsApp, Telegram e sites estrangeiros, preservando comunicação e serviços essenciais.
A reportagem aponta que o uso de VPN disparou em março, com 9,2 milhões de downloads dos cinco apps mais populares, conforme dados de uma consultoria de Moscou citados pelo Kommersant. A adoção é significativamente maior que há um ano.
Duas fontes destacam que autoridades classificam usuários como potenciais ameaças à soberania digital, enquanto o governo afirma que o controle da internet é necessário diante do conflito com o Ocidente.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, reiterou que o controle de comunicação é vital em meio ao confronto com o Ocidente, mas Putin orientou, em abril, cautela para evitar políticas exclusivamente restritivas.
O uso de MAX, considerado pelo governo como ferramenta de comunicação controlada, preocupa críticos que veem risco de rastreamento. A VK, proprietária do MAX, nega intenções de vigilância indiscriminada.
Especialistas ouvidos indicam que isolar apps em um segundo celular aumenta a sensação de segurança, mas não elimina riscos de monitoramento. Irina, 41 anos, aponta a necessidade de alternar países virtuais e dispositivos para contornar bloqueios.
Analistas ressaltam que as interrupções de serviços costumam irritar usuários e podem influenciar a percepção pública antes de eleições, previstas para setembro. Partidos de oposição questionam a abordagem do governo.
Em meio à pressão por maior transparência, a narrativa oficial enfatiza a proteção de dados e a defesa contra ameaças externas, com a promessa de manter a operação de serviços essenciais.
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