- Torcedores de 11 países classificados para a Copa enfrentam rejeição de visto para os EUA acima de 40%, aponta análise da BBC World Service com dados do Departamento de Estado.
- Entre os casos mais críticos, Jordânia tem taxa de recusa em torno de 57% e Senegal supera 70%.
- No Brasil, Raphaela Coiado e mais cinco familiares tiveram vistos negados em entrevista no consulado do Rio de Janeiro, apesar de vínculos estáveis com o país.
- O grupo precisou vender ingressos recebidos na promoção, com perda estimada de cerca de R$ 25 mil.
- A FIFA criou o Fifa Pass para agilizar atendimentos, mas a BBC diz que isso não aumenta as chances de aprovação; os EUA não adotaram um processo específico para a Copa.
O sonho de acompanhar a seleção brasileira na Copa do Mundo acabou antes de começar para Raphaela Coiado, moradora de Hortolândia (SP). Ela e o marido foram premiados em uma promoção da Coca-Cola para viajar aos EUA e assistir Brasil x Haiti, com tudo pago. O embarque nunca ocorreu por recusa de visto.
Ao todo, seis integrantes da família tiveram os vistos negados durante a entrevista no Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Mesmo com vínculos estáveis no Brasil, como imóvel próprio e renda familiar, nenhum participante recebeu a autorização. Os ingressos, avaliados em cerca de R$ 25 mil, tiveram de ser vendidos.
Dados internacionais reforçam o desafio: uma análise da BBC World Service, com base no Departamento de Estado, mostra que torcedores de 11 países classificados tiveram taxas de recusa acima de 40%. Em alguns casos, as recusas superam 50% e 70% em nações como Jordânia e Senegal.
Panorama internacional
A apuração aponta ainda casos de frustração em outros países, como torcedores na Escócia recebendo notificações de última hora sobre impedimentos. Na Argentina, houve iniciativa de oferecer televisores gratuitos a 100 torcedores prejudicados pela recusa do visto.
Segundo a BBC, a Copa anterior contou com mecanismos especiais para facilitar a entrada de torcedores estrangeiros. Nesta edição, o Fifa Pass existe apenas para agilizar agendamentos, sem ampliar as chances de aprovação.
Para Raphaela, a negativa representa a perda de uma experiência única. Mesmo com a venda dos ingressos, a família mantém a frustração, destacando que nada substitui a oportunidade de ver a seleção em campo.
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