- Memorando assinado entre Washington e Teerã dispensa taxas do Estreito de Ormuz por sessenta dias e prevê moratória de enriquecimento de urânio pelo Irã.
- Analista aponta que o acordo é um divisor de águas, visto como fim da aliança estratégica entre os Estados Unidos e Israel.
- Irã chegou às negociações em posição de força, com histórico de controle de Ormuz e de urânio altamente enriquecido, o que tornou o acordo mais favorável ao país.
- Segundo Lourival Sant’Anna, o acordo compromete os EUA a não atuarem militarmente ao lado de Israel contra o Irã.
- As negociações, previstas para os próximos dois meses, devem ser duras e incluem a retirada de forças estrangeiras das regiões do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Líbano.
O acordo assinado entre Washington e Teerã prevê uma moratória do enriquecimento de urânio pelo Irã e inclui a dispensa de taxas pelo uso do Estreito de Ormuz por 60 dias, durante o período de negociação. O Memorando de Entendimento é visto como um divisor de águas nas relações entre EUA e Irã.
Analistas destacam que o documento altera drasticamente a dinâmica com Israel. A leitura predominante é de que a aliança estratégica entre EUA e Israel pode deixar de manter ações conjuntas para atacar o Irã, sob a orientação do novo pacto.
Dados históricos do programa nuclear aparecem como referência para o debate atual. O acordo de 2015, o JCPOA, exigia inspeções mais rigorosas; o Irã tinha urânio enriquecido a 3,67% com restrições. Em 2018, os EUA romperam o acordo e o Irã elevou o enriquecimento para níveis próximos de 60%.
O Irã chegou às negociações em posição mais vantajosa, com Ormuz fechado e estoques de urânio enriquecido. O analista Lourival Sant’Anna afirma que o Irã obtém vantagem substancial, o que explica críticas de setores republicanos e de Israel. O retorno a moratórias não corresponde à renúncia do enriquecimento permitido.
Contexto nuclear e perspectivas
Sob o prisma técnico, o Irã concorda com a diluição de parte do urânio altamente enriquecido, mantendo, porém, capacidade de enriquecimento conforme tratados. O período de dois meses deve tratar do substrato do programa nuclear iraniano, com negociações duras.
Impacto estratégico no Oriente Médio
O texto do memorando declara respeito à soberania iraniana e libanesa e a retirada de forças estrangeiras da região. Para analistas, isso pode sinalizar o fim da aliança dos EUA com Israel, com mudanças significativas na segurança regional.
Entre na conversa da comunidade