- A China suspendeu exportações de itens de dupla utilização para 10 empresas americanas e aplicou sanções a 46 companhias dos EUA, em duas medidas anunciadas no domingo (21).
- Entre as atingidas estão MP Materials e USA Rare Earth (produtoras de terras raras) e Aveox (motores para aplicações críticas).
- Os itens de dupla utilização são bens e tecnologias civis que também podem ter uso militar; a MP Materials e a USA Rare Earth estão ligadas à cadeia de extração até a fabricação de ímãs.
- A China afirma que as ações respondem a “práticas maliciosas” dos EUA, visam a segurança e os interesses nacionais e visam cumprir obrigações internacionais de não proliferação; novas regras proíbem transferências sem licença.
- Em outra medida separada, o Ministério das Finanças chinês sancionou 46 empresas americanas, impedindo compradores chineses de adquirir seus produtos, embora entidades financiadas por capital dos EUA que atuam na China continuem autorizadas.
A China suspendeu as exportações de itens de dupla utilização para 10 empresas americanas e impôs sanções a mais 46 companhias dos EUA em duas medidas anunciadas neste domingo (21). A ação visa proteger segurança e interesses nacionais, segundo o Ministério do Comércio da China.
Os itens de dupla utilização são bens que podem ter uso civil ou militar. Entre as empresas com exportações suspensas estão a MP Materials e a USA Rare Earth, produtoras de terras raras, além da Aveox, fabricante de motores para aplicações críticas.
A decisão chinesa representa uma mudança significativa na política de exportação, indo além de exigências de licenças anteriores. O ministério informou que as medidas afetam todas as transferências originárias da China para as entidades listadas, que devem cessar de imediato.
Separadamente, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções a 46 empresas dos EUA. Compradores chineses ficam proibidos de adquirir produtos dessas companhias, exceto por entidades com capital americano que atuam na China.
Contexto internacional
Em 8 de junho, o Departamento de Guerra dos EUA atualizou uma lista de 188 empresas que, segundo Washington, colaboram com militares chineses. Entre elas estão Alibaba, Baidu, BYD, NIO e empresas de tecnologia, robótica e semicondutores.
A lista determina restrições futuras para contratos governamentais e compras públicas, com efeitos graduais até 2027. O documento permite remoção mediante avaliação do governo americano.
Reações de empresas chinesas
A Embaixada da China nos EUA disse defender ambiente de negócios justo e rejeitou listas discriminatórias. Afirmou que as empresas chinesas cumprem leis locais e que ataques a elas prejudicam a cooperação econômica.
A BYD informou à Reuters que a inclusão na lista carece de fundamento factual. A Alibaba destacou que não é empresa militar e pretende contestar a designação por vias legais. WuXi AppTec também contestou a decisão.
Baidu classificou a inclusão como infundada e afirmou buscar remoção da lista. A decisão atualiza uma relação de início de 2025 e ocorre pouco mais de um mês após encontro entre Trump e Xi Jinping em Pequim.
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