- Em Cantá, no Pará? Não: Cantá, Roraima, agentes da Polícia Rodoviária Federal encontraram 43 pessoas (crianças, mulheres e homens) atravessando a BR-401, poucos dias após entrarem no Brasil pela fronteira com a Guiana.
- Até abril de 2026, cerca de 13 mil cubanos haviam feito pedidos de refúgio no Brasil, conforme o Observatório das Migrações Internacionais; 6 mil cubanos entraram oficialmente no país em 2026.
- A diferença entre pedidos de refúgio e entradas regulares sugere migração por rotas irregulares ou não registradas, com altos custos pagos a coiotes (mais de 10 mil dólares em alguns casos).
- A crise econômica cubana, agravada pela energia e pelo embargo, levou muitos cubanos a buscar o Brasil como passagem para outros países ou para pedir refúgio no Brasil.
- A maioria dos cubanos não pretende permanecer no Brasil: muitos planejam seguir para Argentina, Uruguai ou Canadá, após o refúgio no Brasil ou reassentamento em terceiros países.
O número recorde de cubanos buscando refúgio no Brasil cresce desde 2025, ultrapassando venezuelanos. Em 2026, o país recebeu pedidos que já superam 13 mil, com cerca de 6 mil registros de entrada regular apenas até abril. A maioria chega por rotas irregulares, muitas vezes com apoio de coiotes.
Na madrugada de 11 de junho, agentes da Polícia Rodoviária Federal avistaram 43 cubanos caminhando com malas pelo acostamento da BR-401, em Cantá, a 10 km de Boa Vista, capital de Roraima. O grupo havia entrado pelo estado vizinho da Guiana, após deixar Cuba dias antes.
Segundo a PRF, as pessoas chegavam em situação degradante, com desnutrição, doenças respiratórias e gastrointestinais. O grupo, que se juntou a outros deslocados que já pedem refúgio, sofreu transferência entre redes de tráfico humano que atravessam fronteiras de forma irregular.
A statística do Observatório das Migrações Internacionais indica que, em 2026, seis mil cubanos entraram oficialmente no Brasil, enquanto mais de 13 mil apresentaram pedidos de refúgio. A diferença sugere aumento de fluxos não registrados e uso de rotas não oficiais.
A virada ocorreu em 2025, quando cubanos passaram a ser a nacionalidade com mais pedidos de refúgio no Brasil, superando venezuelanos. Em 2024, cubanos apresentaram cerca de 42 mil pedidos, bem acima dos venezuelanos.
Muitos cubanos chegam por via aérea até Georgetown, capital da Guiana, com escalas no Caribe, e percorrem até Lethem, na fronteira com o Brasil, em veículo ou em barcos, cruzando o rio Tacutu. No Brasil, entram em veículos superlotados rumo a Boa Vista.
Profissionais de organizações de acolhimento apontam riscos elevados nesse mapa, incluindo transporte inseguro, endividamento e exploração. Pesquisas apontam necessidade de orientar melhor quem parte de Cuba para não depender de coiotes.
Apesar de a lei brasileira permitir pedir refúgio na fronteira, muitos imigrantes são levados a acreditar que é necessário atravessar caminhos clandestinos. Pesquisadores e docentes da UFRR destacam falhas na comunicação sobre as opções legais.
A localidade de Bonfim, na fronteira, vem registrando aumento de pedidos de refúgio, o que pode sinalizar que informações sobre acolhimento migratório chegam a Cuba. A PRF aponta que a mudança de percepção é observável recentemente.
A Secretaria de Justiça ressalta que a política migratória brasileira busca integrar refugiados e migrantes, com atenção a saúde, assistência social, educação e direitos humanos. A resposta às críticas, porém, não detalha alterações na Operação Acolhida para cubanos.
No caso específico de Evelio Vazques, 45 anos, e sua família, a trajetória ilustra a experiência de muitos cubanos. Eles venderam bens, pagaram caro pela viagem à Guiana e entraram no Brasil após atravessarem a fronteira irregularmente.
Chegando a Boa Vista, a família registrou-se como refugiada, passou por dificuldades iniciais e, após conseguir moradia, passou a trabalhar como motorista de Uber. Eles relatam gratidão pelo tratamento recebido, mas apontam lacunas na acolhida.
A formação de associações entre cubanos na região visa organizar a comunidade e disseminar informações corretas sobre o ingresso no país. A BBC News Brasil entrou em contato com autoridades, mas não obteve resposta sobre mudanças na política de acolhimento.
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