- Autoridades dos EUA e do Irã tiveram avanços encorajadores na primeira rodada de negociações na Suíça, com um roteiro para um acordo final em até sessenta dias, segundo mediadores.
- Teerã voltou a fechar o Estreito de Ormuz, e o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou retomar ataques no Oriente Médio.
- As partes concordaram com um mecanismo para encerrar combates entre Israel, aliado dos EUA, e militantes do Hezbollah no Líbano, além de abrir linha de comunicação para facilitar a passagem de navios pelo estreito.
- O Irã afirmou ter garantido isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, liberação de ativos congelados e um plano de reconstrução; as negociações técnicas continuam na Suíça.
- Os preços do petróleo caíram após a assinatura de acordo provisório e o alívio das tensões, com o Brent perto de US$ oitenta por barril, enquanto a situação no Líbano permanece tensa.
O Irã e os Estados Unidos anunciaram avanços encorajadores na primeira rodada de negociações realizadas na Suíça, encerrada na madrugada de segunda-feira. O objetivo é chegar a um acordo final para encerrar a guerra em 60 dias, segundo mediadores.
Apesar dos progressos, a tensão permaneceu em áreas estratégicas como o Líbano e o Estreito de Ormuz. Teerã voltou a fechar o estreito, enquanto o presidente americano, Donald Trump, ameaçou retomar ataques na região.
Os mediadores Paquistão e Catar disseram que as partes concordaram com um roteiro para o fim do conflito e com a abertura de uma linha de comunicação para garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito.
As negociações técnicas devem seguir ao longo da semana no resort de Buergenstock, no território suíço, conforme comunicado conjunto.
Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, afirmou pelas redes sociais que Teerã garantiu isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, além da liberação de ativos congelados e de um plano de reconstrução e desenvolvimento.
Antes do início formal, Trump havia afirmado a autoridades iranianas que o país não poderia fechar o estreito novamente, segundo a Fox News. Também houve menção a possível cobrança de pedágio pela via.
Fontes iranianas e americanas apresentaram versões distintas sobre o andamento das negociações na Suíça. Uma fonte iraniana citada pela Tasnim disse que houve resistência inicial a tratar questões até que outras cláusulas do acordo fossem cumpridas.
Um diplomata americano envolvido no processo informou à Reuters que o tema incluiu discussões sobre o Estreito, o Líbano, questões nucleares e a implementação do memorando de entendimento em vigor desde abril.
O acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim das hostilidades no Líbano, onde Israel realiza ataques. O Irã acusa os EUA de não cumprirem o compromisso de interromper a guerra no Líbano.
No fim de semana, o Irã interrompeu o tráfego pelo estreito, mas algumas embarcações retornaram a rota no domingo. Entrementes, a custo de mercado, o petróleo reagiu aos movimentos na região.
O Brent era negociado próximo a US$ 80 por barril após as sinalizações de acordo e as mudanças no tráfego marítimo. Os preços recuaram com o aumento de otimismo sobre a estabilidade da oferta mundial.
Tensão no Líbano
O Irã informou, no sábado (20), que fechou novamente o estreito, após o anúncio de um cessar-fogo no Líbano. Cinco embarcações passaram pelo estreito no domingo (21), segundo a análise de dados da Kpler.
O domingo foi marcado pela reduzida violência no Líbano, porém a situação continua instável. O presidente israelense, Isaac Herzog, afirmou que apoia solução diplomática, desde que Teerã não utilize os fundos recebidos para fins militares ou para financiar aliados na região.
Entre na conversa da comunidade