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Onda de calor devastadora varre a Europa; EUA podem ser os próximos?

Ondas de calor na Europa já provocam dezenas de mortes na França; o risco de episódios semelhantes atinge os EUA e expõe regiões pouco preparadas

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  • Onda de calor na Europa, causada por um “bloco omega” de alta pressão, já provocou cerca de 40 mortes na França desde meados de junho, incluindo duas crianças em veículo exposto ao calor.
  • Houve cancelamentos de transportes na França e escolas no Reino Unido anunciaram encerramento antecipado devido ao calor extremo.
  • A vulnerabilidade europeia é agravada pela baixa penetração de ar-condicionado nas residências, em torno de 20%, bem abaixo dos Estados Unidos, onde a maioria tem algum sistema de refrigeração.
  • Meteorologistas apontam que o calor europeu pode ter teleconexão com padrões que afetam a costa leste dos EUA, com previsão de novas ondas de calor em julho e agosto.
  • O Pacífico Noroeste dos EUA está menos preparado para o calor extremo, com cerca de metade das casas em King County sem ar-condicionado, em meio a histórico de ondas de calor na região.

O calor extremo que varre a Europa deixou ao menos 40 mortos no país desde meados de junho, segundo o primeiro-ministro francês Sebastien Lecornu. A onda de calor é associada a um bloqueio de alta pressão, conhecido como omega, que desloca ar quente entre áreas de baixa pressão.

A onda de calor levou a cancelamentos de transportes na França e obrigou dezenas de escolas na Grã-Bretanha a encerrar atividades mais cedo por conta do calor. Além disso, dois adolescentes, com idades de 2 e 4 anos, morreram em veículos quentes no sudeste francês.

Dados indicam vulnerabilidade ao calor por aqui. Cerca de 20% das residências europeias contam com ar condicionado, ante quase 90% das casas americanas, o que aumenta os riscos em comunidades sem refrigeração adequada, como Paris, onde moradores relataram noites sem sono pelos quartos sem preparo para o calor.

Perspectiva sobre os EUA

Quando um corredor de alta pressão se fixa sobre a Europa, pode ocorrer um padrão semelhante próximo à costa leste dos Estados Unidos, em função da ondulação da corrente de jato, segundo especialistas. Esse teleconexão envolve padrões climáticos interligados entre continentes.

A NOAA define onda de calor como período de calor incomum para uma região, com duração superior a dois dias. Em junho, cidades da costa leste dos EUA já registraram episódios de calor, incluindo Filadélfia e outras áreas.

Para julho, a previsão aponta maior risco de ondas de calor no centro e oeste dos EUA, desde as Dakotas até Nebraska, com evolução rumo à parte oeste do país. Em agosto, o Noroeste, Nordeste e trechos da Costa do Golfo aparecem entre os mais vulneráveis.

Preparação regional

O Pacífico Noroeste enfrenta menor preparo para calor intenso, assim como parte da Europa. Em King County, Washington, cerca de metade das moradias não dispõe de ar condicionado, segundo dados do Censo citados pela imprensa local.

Especialistas destacam que a região não está tão acostumada ao calor extremo quanto outras partes do país, o que aumenta a sensibilidade a ondas de calor prolongadas. Eventos passados, como o forte domo de calor em 2021, tiveram impactos severos.

O estudo aponta que a variabilidade climática, como o El Niño, pode intensificar as ondas de calor no Pacífico Noroeste neste verão, elevando o risco de choques térmicos na região nos próximos meses. Pesquisas indicam maior vulnerabilidade em áreas com menor infraestrutura de refrigeração.

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