- A União Europeia vê o Brasil como parceiro estratégico e afirma ter proposta mais vantajosa na disputa por terras raras, durante visita à Viridis Mining and Minerals em Poços de Caldas (MG).
- A proposta europeia enfatiza o processamento local dos minerais e a criação de valor agregado, com transferência de tecnologia e geração de empregos, além de cumprir diretrizes ambientais e sociais.
- O projeto Colossus, da Viridis em Minas Gerais, prevê investimento de cerca de US$ 360 milhões para uma unidade capaz de produzir 15 mil toneladas anuais de carbonato misto de terras raras a partir de 2028; a planta piloto processa 100 quilos por hora.
- A Viridis assinou carta de intenções com a belga Solvay para fornecimento de terras raras processadas; um acordo definitivo pode ser fechado até o fim de julho, com apoio financeiro e proteção de preços pela UE.
- A corrida global por minerais estratégicos busca reduzir a dependência da China, com a UE e os Estados Unidos buscando diversificar fornecimento, incluindo lítio e níquel, mantendo padrões de sustentabilidade.
A União Europeia reforça o interesse no Brasil em meio à disputa global por minerais críticos. O comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, afirmou que o Brasil é parceiro estratégico e que a UE apresenta uma proposta mais vantajosa que a de concorrentes na área de terras raras.
A declaração foi feita durante visita ao centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG). O empreendimento integra um grupo de projetos prioritários para ampliar cooperação Brasil-UE no setor.
Aposta europeia pelo processamento local
Síkela destacou o foco da proposta europeia no processamento local dos minerais, em vez da exportação da matéria-prima bruta. O Brasil teria potencial para avançar na cadeia produtiva, gerando maior valor agregado por meio de refino e industrialização.
Ele ressaltou que a estratégia da UE prevê transferência de tecnologia, geração de empregos qualificados e desenvolvimento de capacidades industriais, alinhando-se aos planos brasileiros para o setor mineral.
Projeto Colossus da Viridis e investimentos
A Viridis já opera uma planta piloto com capacidade de processar 100 quilos de minério por hora, com produção anual estimada de até 2,92 toneladas de MREC. O objetivo é construir uma unidade comercial capaz de produzir 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028.
O projeto Colossus, em Minas Gerais, ocupa mais de 228 km² de licenças minerais. Síkela afirmou que o empreendimento é estratégico por criar empregos, promover transferência de conhecimento, inovação tecnológica e adoção de padrões ambientais elevados.
Avanços na parceria e negociações com Solvay
Neste mês, a Viridis assinou uma carta de intenções com a química belga Solvay para o fornecimento de terras raras processadas. O acordo pode evoluir para uma parceria mais ampla, com suporte tecnológico.
Rafael Moreno, CEO da Viridis, disse que as negociações com a UE avançam e que um acordo com a Solvay pode ficar definido até o fim de julho. A empresa avalia mecanismos de financiamento e proteção de preços para reduzir riscos.
Contexto global e agenda europeia
A corrida por minerais estratégicos ocorre em meio à luta para reduzir dependência da China, que domina boa parte da produção e processamento. A UE e os EUA buscam diversificar fornecedores, incluindo lítio e níquel, para a transição energética.
Síkela afirmou que a estratégia europeia envolve projetos que vão além das terras raras, com foco em sustentabilidade, governança e desenvolvimento local, destacando o papel ambiental do Brasil, especialmente pela Amazônia.
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