- A Islândia pode realizar referendo neste verão para reiniciar negociações de adesão à União Europeia; se aprovado, o país pode se tornar o 28º estado-membro.
- Já faz parte do espaço Schengen e tem acesso ao mercado único por meio do Espaço Econômico Europeu, o que reduz boa parte da integração regulatória necessária.
- O debate mostra que a UE precisa repensar o acesso de países democráticos vizinhos, tornando o processo mais flexível, sem perder um filtro por meritocracia e estado de direito.
- Sugestão: adotar um modelo de adesão em velocidades diferentes, permitindo participar do mercado único antes da completa integração institucional, com opção de saída de certos domínios sensíveis.
- A adesão da Islândia fortaleceria a estratégia ártica da UE e a defesa no Atlântico Norte, enquanto Reykjavik traria expertise em governança oceânica, ciência climática e diplomacia ártica.
A Islândia se prepara para realizar um referendo neste verão sobre a retomada das negociações para a adesão à União Europeia. Se aprovado, Reykjavík pode encerrar as tratativas para tornar o país o 28º estado-membro da UE. A Islândia já integra o Espaço Schengen e tem acesso ao mercado único pela Área Econômica Europeia.
Parte do diálogo público mostra que a entrada na UE envolve mais que acordos comerciais. As disputas sobre pesca, núcleo da identidade islandesa, travam, há anos, o avanço das negociações iniciadas em 2009 e suspensas em 2013. O tema continua central.
Essa resistência aponta para uma discussão maior sobre o modelo de adesão da UE. A ideia é tornar o processo mais flexível, mantendo critérios de mérito e respeito ao Estado de direito, sem exigir alinhamento completo desde o primeiro dia.
Especialistas defendem que a UE precisa de um conceito de “Europa em velocidades diferentes”. Países podem participar do mercado único antes da plena integração institucional, com caminhos seletivos em domínios sensíveis.
A visão é que a expansão seja instrumento estratégico para estabilizar vizinhança e fortalecer a segurança europeia. A adesão de Islândia poderia também ampliar a experiência da UE em governança oceânica, ciência climática e diplomacia ártica.
No contexto da invasão da Ucrânia pela Rússia e da concorrência com China e EUA, há quem proponha estruturas de decisão mais ágeis, como uma possível Sala de Segurança Europeia que coordene política externa e defesa. A Islândia, membro da Otan, é posicionada na região Norte do Atlântico como elemento estratégico.
A authorship do artigo é de Valérie Hayer, deputada francesa e líder do grupo Renew Europe. Em situações de negociação com eventuais novos membros, a autora destaca a necessidade de reconhecer a realidade geopolítica atual e a importância de um quadro de adesão mais adaptável.
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