- A UE vê o Brasil como parceiro estratégico para minerais críticos, com foco em diversificação de suprimentos e produção local de processamento, segundo o comissário Jozef Síkela.
- Síkela visitou em Poços de Caldas, Minas Gerais, o centro de pesquisa e processamento de terras raras da Viridis Mining and Minerals, um dos quatro projetos prioritários da parceria UE-Brasil.
- O projeto piloto da Viridis, iniciado em maio, tem capacidade de processar 100 kg de minério por hora e pode produzir até 2,92 kg de carbonato misto de terras raras por ano; a empresa planeja investir US$ 360 milhões para uma planta comercial a partir de 2028, com 15 mil toneladas de MREC ao ano.
- A Viridis assinou uma carta de intenções não vinculante com a química belga Solvay para fornecimento de MREC e possível suporte tecnológico no processamento, com possível fechamento de acordo até o fim de julho.
- Síkela afirmou que a UE não substitui capital privado, mas oferece apoio político e mitigação de riscos para atrair investimentos, destacando que o Brasil tem potencial para liderar uma cadeia de suprimentos com padrões ambientais, sociais e de governança mais avançados.
O bloco econômico europeu quer o Brasil como parceiro estratégico na exploração de minerais críticos, com foco em terras raras. A avaliação foi feita pelo comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, durante visita publicada pela Reuters. O encontro ocorreu no fim de semana, em 20 de junho, em Poços de Caldas (MG), onde fica um centro da Viridis Mining and Minerals dedicado ao pesquisa e processamento de terras raras. A iniciativa integra a agenda de diversificação de suprimentos da UE diante da demanda global.
A visita ocorreu no marco de um projeto piloto da Viridis, inaugurado em maio, que tem capacidade para processar 100 kg de minério por hora e gerar até 2,92 kg de MREC por ano, um pó contendo terras raras ainda não separadas. A empresa planeja investir US$ 360 milhões para a planta comercial, com produção prevista de 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028.
Parcerias e metas da UE
Síkela ressaltou que a estratégia europeia privilegia sustentabilidade, processamento local e criação de empregos, alinhando-se aos padrões ambientais, sociais e técnicos mais exigentes. A comitiva apontou a expectativa de ampliar o ganho de cadeia de valor no Brasil, que detém a segunda maior reserva mundial de minerais críticos, com o objetivo de suportar acordos de compra e refino interno.
O comissário citou uma carta de intenções não vinculante entre Viridis e a química belga Solvay, assinada neste mês, que prevê fornecimento de MREC e pode evoluir para uma parceria tecnológica no processamento. O executivo-chefe da Viridis, Rafael Moreno, informou que negociações com a UE seguem avançadas e que um acordo com a Solvay poderia ser fechado até o fim de julho, incluindo mecanismos de financiamento e proteção de preços para reduzir riscos.
Perspectivas e próximos passos
Síkela reiterou que o papel da UE é facilitar o investimento privado, sem substituir capital externo. A ideia é apoiar iniciativas que promovam a diversificação da cadeia de suprimentos e a transferência de tecnologia, mantendo padrões de governança e impacto ambiental relevantes. O executivo da Viridis indicou que a empresa já discute com potenciais compradores na Europa e nos Estados Unidos, sem considerar mercados chineses.
A visita em Poços de Caldas ocorre em meio a uma corrida global por minerais críticos, com governos da Europa e dos Estados Unidos buscando reduzir dependências do principal produtor, a China. Além das terras raras, o bloco também mira projetos envolvendo níquel e lítio, com planos de aprofundar acordos com o Brasil ainda neste ciclo de negociações.
Entre na conversa da comunidade