- Fatmata Sessay, serra-leonesa de 56 anos, viveu por cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém após problemas com o passaporte, impossibilitando seguir viagem do Brasil ao Panamá.
- Sem dinheiro para comprar nova passagem nem resolver a situação migratória, ela transformou o saguão em abrigo noturno, recebendo apoio de uma instituição de assistência social.
- O caso revelou a existência de viajantes que permanecem em aeroportos por longos períodos por questões como perda de documentos, vistos negados ou acidentes de viagem.
- Desafios diários incluem dormir em cadeiras, higiene precária, alimentação irregular e insegurança de pertences, além de impactos físicos e emocionais.
- A resposta envolve autoridades, redes de apoio social, religiosas e jurídicas, com mediação de consulados e ações pontuais, mas a ausência de protocolos padrões pode prolongar essas permanências.
Fatmata Sessay, serra-leonesa de 56 anos, viveu por cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém. A passagem, que saiu de São Paulo com destino ao Panamá para reunir-se a familiares, teve a rota interrompida no fim de 2025 por problemas com o passaporte. Sem dinheiro para comprar nova passagem ou resolver a situação migratória, ela passou a ocupar o saguão como abrigo.
A mobilização a partir do caso envolveu autoridades, organizações religiosas, redes sociais e moradores de Belém. Doações de alimentos, roupas e apoio jurídico foram promovidos por essas vítimas de vulnerabilidade, destacando uma realidade invisível para muitos viajantes: a permanência prolongada de pessoas em terminais, que se tornam moradias temporárias por falta de recursos ou impedimentos migratórios.
Em muitos aeroportos, a permanência além do esperado decorre de fatores burocráticos e econômicos. Perda de documentos, recusa de entrada, exigência de vistos ou alterações de viagem costumam manter o passageiro em áreas de trânsito ou embarque, até a resolução do impasse. A ausência de recursos para novas passagens intensifica o quadro.
Causas da permanência prolongada
Entre as causas mais comuns estão perda, roubo ou vencimento de passaporte, dificultando embarques ou entradas em outros países. Negativas de visto, documentação incompleta ou dúvidas sobre a finalidade da viagem também contribuem para a retenção. Despesas com remarcações, benfeitorias ou hospedagem fora do aeroporto costumam não estar ao alcance.
Cancelamentos de voos e dificuldades de organização financeira também aparecem como razões. Impasses legais, como pedidos de refúgio ou decisões sobre país responsável pela pessoa, podem prolongar a estadia no terminal. Em Belém, a situação de Fatmata trouxe à tona como esses gatilhos se conectam a políticas de fronteira e redes de acolhimento.
Desafios diários
A rotina de quem vive em aeroportos envolve improviso: dormir em cadeiras ou no chão, higiene precária em banheiros públicos, alimentação baseada em doações ou em lojas de alimentação do terminal. Além disso, há riscos à privacidade e à segurança de pertences, com necessidade de manter documentos sempre à mão.
Questões de saúde mental e física aparecem pela persistência da situação. O barulho, a iluminação constante e a falta de conforto dificultam o descanso. Em casos como o de Fatmata, a comunicação com funcionários e autoridades costuma exigir intérpretes e mediação de organizações de migração e direitos humanos.
Como foram as respostas
No Brasil, instituições de assistência social, organizações religiosas e redes da sociedade civil atuam como mediadores, oferecendo alimentação, roupas, apoio psicológico e orientação jurídica. Em Belém, esse acompanhamento diurno ajudou Fatmata a reunir documentos, buscar alternativas de viagem e manter contato com familiares no Panamá.
Autoridades aeroportuárias e órgãos de imigração trabalham para encontrar soluções como regularização documental, remarcação de bilhetes ou retorno ao país de origem. Contudo, a ausência de protocolos padronizados pode manter casos assim sem uma solução rápida, dependendo de negociações caso a caso.
Impactos humanos
Casos de moradores temporários de aeroportos evidenciam a relação entre mobilidade, vulnerabilidade econômica e lacunas na proteção social. Esses episódios revelam a fragilidade de itinerários sem recursos e o papel essencial de redes locais de apoio. A situação de Fatmata Sessay em Belém aponta para a necessidade de respostas mais estruturadas entre políticas migratórias e assistência social.
Entre na conversa da comunidade