- O Brexit completa 10 anos e o Reino Unido ficou mais instável e empobrecido, com seis primeiros-ministros no período e a previsão de um sétimo em breve.
- A política sofreu, com líderes derrubados por aliados após perder apoio dentro dos partidos; David Cameron renunciou após a campanha pró-Brexit, e Keir Starmer também deixou o cargo.
- O referendo ampliou divisões e abriu espaço para movimentos nacionalistas e discursos anti-imigração, aumentando tensões entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.
- Economicamente, há consenso de prejuízos, estimando-se perda de cerca de 4% do PIB e queda de 15% no comércio com a União Europeia a longo prazo; burocracia aumentou e investimentos migraram para o bloco.
- Pesquisa recente mostra queda de apoio entre a população, com 60% dos britânicos considerando o Brexit um fracasso, contrastando com o resultado do referendo de 2016.
O referendo que abriu o caminho para o Brexit completa 10 anos nesta terça-feira, 23 de abril. O resultado, de 51,89% a 48,11%, manteve o país fora da União Europeia, gerando mudanças profundas na política, na economia e na sociedade.
Ao longo da década, o Reino Unido enfrentou instabilidade política, com seis primeiros-ministros escolhidos internamente pelos partidos. Keir Starmer renunciou recentemente, sinalizando a contínua fragilidade do governo. A nação se prepara para o sétimo premiê em breve.
A polarização em torno do Brexit ampliou rupturas históricas entre regiões do país, alterando o equilíbrio entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. A política interna passou a conviver com movimentos nacionalistas mais fortes.
Impacto econômico
Economistas reconhecem impactos negativos, com o Office for Budget Responsibility estimando queda de cerca de 4% no PIB a longo prazo e retração de 15% no comércio com a UE. A burocracia pós-Brexit agravou custos para empresas.
Investimentos dirigidos a outros países da UE passaram a superar o montante aplicado no Reino Unido, contribuindo para a diminuição do dinamismo econômico. A percepção pública sobre a vida após o Brexit também deteriorou.
Mudanças no debate público
O Brexit abriu espaço para discursos nacionalistas e anti-imigração, com padrões de retórica mais agressivos. Interesses de trabalhadores e setores industriais passaram a divergir amplamente dentro dos partidos.
Movimentos nacionalistas ganharam força sobretudo na Inglaterra central, onde símbolos nacionais passaram a compor o cenário político. A questão da identidade ganhou relevância maior no debate público.
Regionalização e perspectivas futuras
Na Escócia, cresce a pressão por novo plebiscito sobre a autonomia. Na Irlanda do Norte, tensões entre comunidades republicana e unionista voltaram a ganhar espaço político. A dissolução da União, mencionada por especialistas, é tema de debate caso não haja recuperação econômica.
A pandemia, mudanças climáticas e transformações tecnológicas acrescentaram novos elementos ao cenário, embora a principal linha de leitura permaneça o efeito do rompimento com a UE sobre a vida cotidiana.
Entre na conversa da comunidade