- Mahrang Baloch, líder do Comitê de Unidade de Balochistão, foi condenada à prisão perpétua por assassinato e terrorismo, junto com Sibghatullah, pelo suposto incitamento de uma multidão que matou um soldado paramilitar em um comício, em Gwadar, em 2024.
- O tribunal antiterrorista em Quetta também determinou multa de 200.000 rúpias paquistanesas aos herdeiros de Shabbir Ahmed, o soldado morto.
- Baloch e Sibghatullah já estavam presos há dois anos, e negam as acusações, alegando violação de due process; o julgamento foi conduzido por um “tribunal sem rosto” com testemunhas ouvidas por link de vídeo.
- A Human Rights Commission of Pakistan pediu revisão imediata da sentença, criticando suposta duplicidade de tratativas entre direitos fundamentais e extremismo pelo Estado.
- O BYC, organização de Balochistão que reúne ativistas que contestam desaparecimentos forçados, rejeita ligações com militantes; a família de Baloch tem histórico de luta após o pai ter desaparecido em 2009.
Mahrang Baloch, líder do Balochistan Unity Committee (BYC), foi condenada à prisão perpétua por assassinato e terrorismo, em julgamento ligado à morte de um soldado paramilitar durante um comício em Gwadar, em 2024. Sibghatullah também recebeu a mesma condenação, segundo autoridades judiciais.
O tribunal antiterrorista de Quetta decidiu que os dois atuaram de forma ativa na reunião ilegal do BYC, com objetivos em comum de assassínio de um oficial da Federal Constabulary. Além da pena, foram fixadas multa de 200 mil rupias paquistanesas aos herdeiros de Ahmed.
Os réus estavam presos há dois anos em razão de diversas acusações. Eles se recusaram a participar do julgamento juntamente com a defesa, que contestou o processo e afirmou que houve falta de devido processo, com testemunhas ouvidas por videoconferência.
Reações ao veredito
A Human Rights Commission of Pakistan pediu revisão imediata da decisão, alegando que o estado trata defesa de direitos fundamentais como terrorismo. A família de Baloch e a defesa denunciaram um tribunal sem rosto e falhas no direito de defesa.
Greta Thunberg criticou as diligências, chamando o processo de afronta à justiça e afirmando que houve segredo injustificado. Por meio de uma nota, a ONG sueca descreveu a audiência como uma zombaria do devido processo.
Contexto e histórico do BYC
Baloch, listada entre as BBC 100 Women de 2024, atua desde 2009, quando seu pai, supostamente levado por agentes de segurança, foi encontrado morto com sinais de tortura. Em 2023, liderou uma marcha de centenas de mulheres por 1.600 km até Islamabad, cobrando justiça para familiares desaparecidos.
A BYC atua em Balochistan contra desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais, região marcada por décadas de disputa por maior autonomia. O governo local disse possuir evidências inegáveis e afirmou que o caso não tem motivações políticas.
Entre na conversa da comunidade