- Autoridades do Talibã estiveram em Bruxelas nesta terça-feira (23) para tratar do retorno de afegãos exilados junto à União Europeia, em encontro considerado técnico pela UE.
- Foi a primeira vez que representantes do governo talibã foram recebidos pela UE, gerando críticas de organizações de direitos humanos, incluindo Malala Yousafzai.
- Em Bruxelas, cerca de quinze Estados-membros participaram das discussões sobre identificação de repatriados, emissão de documentos de viagem e procedimentos de retorno.
- A Comissão Europeia afirmou que o objetivo é priorizar o retorno de indivíduos que representam ameaça à segurança ou tenham cometido crimes graves, sem reconhecimento do regime talibã pela UE.
- Dados da UE indicam que, entre 2013 e 2024, aproximadamente um milhão de pedidos de asilo foram apresentados por afegãos, com cerca de metade aprovados; hoje, cerca de vinte países buscam mecanismos para repatriar migrantes ao Afeganistão.
Oito representantes do Talibã estiveram em Bruxelas nesta terça-feira (23) para tratar com a União Europeia sobre o retorno de afegãos exilados ao Afeganistão. Foi a primeira reunião oficial entre autoridades do regime e a UE, gerando críticas de defensoras de direitos humanos.
A delegação foi recebida em formato essencialmente técnico. A Comissão Europeia confirmou o encontro com a participação de autoridades de vários Estados-membros, com foco em questões de retorno, readmissão e documentos de viagem. A UE enfatizou a prioridade de repatriar migrantes que representem risco à segurança.
Cerca de 15 países da UE participaram do encontro, que continua as discussões técnicas iniciadas em Cabul, em janeiro de 2026. O diálogo abordou identificação de pessoas repatriadas, emissão de papéis de viagem e os procedimentos de retorno ao país de origem.
Controvérsia e resposta da UE
O encontro gerou indignação entre organizações de direitos humanos, incluindo a ganhadora do Nobel da Paz Malala Yousafzai, que critica abusos contra mulheres sob o Talibã. A organização Anistia Internacional fez protesto em frente à sede da Comissão Europeia.
A Human Rights Watch acusa a cooperação com o Talibã em retornos forçados e alerta para riscos à credibilidade da UE, que condena abusos, mas participa de negociações com o grupo. A UE sustenta que a reunião foi de caráter técnico e não com líderes do governo afegão.
Segundo a UE, o diálogo visa facilitar retornos apenas de indivíduos considerados ameaça à segurança ou foragidos de crimes graves, com continuidade das conversas iniciadas previamente.
Desde a ascensão do Talibã ao poder em 2021, a UE não reconhece oficialmente o governo afegão. Autoridades afirmam que a conversa é parte de esforços diplomáticos para tratar de migração, sempre mantendo distanciamento político.
Caberá aos Estados-membros indicar como avançar em soluções diplomáticas e práticas. O tema envolve também o contexto de pedidos de asilo, já que a UE recebeu cerca de 1 milhão entre 2013 e 2024, com aproximadamente metade aprovados.
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