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Cortes na USAID fortalecem direita em eleições na América Latina

Desfinanciamento da Usaid desde 2025 acompanha onda de vitórias de direita na América Latina, com reflexos em eleições e aumento da polarização regional

O colombiano Abelardo de la Espriella é o mais recente presidente de direita eleito após o fim do financiamento da Usaid, agência governamental dos Estados Unidos. (Foto: EFE / Mauricio Dueñas Castañeda)
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  • Em meados de 2025, um ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Mike Benz, participou de audiências no Congresso brasileiro sobre interferência externa nas eleições de 2022; suas falas associam o enfraquecimento da Usaid ao cenário político atual na América Latina.
  • Desde 2025, após o desfinanciamento da Usaid ordenado pelo governo de Donald Trump, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia elegeram presidentes de direita, alterando a balança política na região.
  • A economista Ludmila Culpi diz que o recuo da esquerda pode ter ocorrido como efeito colateral do enfraquecimento da Usaid, não apenas pela queda da atuação da agência.
  • Benz afirma que a Usaid atuava como instrumento de poder suave e indireta ingerência; segundo ele, recursos foram usados para instrumentalizar ONGs e redes de checagem para controlar a informação.
  • Entre as evidências apresentadas, há menção a mais de 90 milhões de dólares investidos pela Usaid no Brasil durante o governo Bolsonaro, com ações consideradas para fortalecer a oposição e censurar conservadores.

Em meados de 2025, um ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA participou de audiências no Congresso Nacional brasileiro sobre interferências externas nas eleições de 2022. Mike Benz trouxe relatos que seriam alinhados ao atual cenário político da América Latina, segundo a leitura de observadores. Críticos da Usaid passaram a defender que, sem a agência, resultados eleitorais poderiam ter sido diferentes.

A defesa da visão de Benz sustenta que as operações da Usaid teriam tido influência relevante sobre o processo político brasileiro e regional. O ex-funcionário afirmou que, se a Usaid não existisse, Bolsonaro ainda seria presidente do Brasil, segundo relatos recolhidos pela imprensa.

Para Ludmila Culpi, economista e doutora em Ciência Política, há indícios de que o enfraquecimento da Usaid possa ter contribuído para a ascensão de governos de direita na região. Ela aponta que o desfinanciamento da agência desde 2025 gerou impactos sociais que, segundo a leitura apresentada, favoreceriam esse movimento.

A Usaid foi criada nos anos 1960 para consolidar programas de ajuda externa sob a égide do soft power. O objetivo formal era promover desenvolvimento, mas críticos sustentam que a atuação também serviu a interesses geopolíticos dos EUA, em especial durante e após a Guerra Fria.

Durante as audiências em Brasília, Benz apresentou documentos que, segundo ele, detalham uma rede de ações envolvendo a Usaid, a CIA, o Pentágono e outros setores da Casa Branca. Entre 2019 e 2022, teriam sido desviados mais de US$ 90 milhões para ações no Brasil, segundo a exposição dele.

Conforme Benz, parte desses recursos teria instrumentalizado ONGs e veículos de checagem, com o objetivo de moldar a narrativa pública. Alega ainda que houve treinamento em censura sob o pretexto de combate à desinformação, com finalidade de fortalecer a oposição e restringir conservadores nas redes sociais.

A exposição de gastos da Usaid também inclui pagamentos a iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) em diversos países, como Sérvia, Irlanda, Peru e Colômbia, conforme descrito pela Casa Branca. Entre os casos, constam valores modestos para produções culturais com foco identitário.

Segundo a mesma linha, ações que não estariam vinculadas à assistência humanitária teriam incluído políticas de controle populacional, incentivos à promoção ou legalização do aborto em nações pobres e repasses a entidades ligadas a grupos controversos. Essas leituras, porém, permanecem sob debate entre especialistas e autoridades.

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