- Um relatório da Organização das Nações Unidas aponta que a violência sexual é usada cada vez mais como “arma de guerra” no Sudan, com 546 incidentes verificados e 838 vítimas desde o início do conflito.
- A RSF e milícias aliadas são apontadas como principais responsáveis, embora o Exército também seja acusado de violência sexual; o confronto civil envolve o país há mais de três anos.
- El-Obeid tornou-se uma linha de frente estratégica, com uso de drones contra infraestrutura civil, ataques a rotas de abastecimento e cortes de serviços para mais de meio milhão de pessoas.
- Reino Unido e seis países europeus pedem cessar imediato da violência e alertam para a possibilidade de grande ofensiva na cidade.
- A crise humanitária já deslocou mais de 11 milhões de pessoas e afeta 28 milhões com fome aguda, conforme agências humanitárias.
O contato entre os campos de batalha em Sudão intensificou-se, com violência sexual sendo identificada pela ONU como arma de guerra usada para intimidar a população civil. O relatório descreve a violência como sem precedentes em escala, prevalência e brutalidade. O país vive uma guerra civil desde 2023, entre o Exército e as Forças de Suporte Rápido (RSF).
O relatório da ONU aponta 546 incidentes de violência sexual relacionada ao conflito desde o início do confronto. Ao menos 838 vítimas foram registradas: 539 mulheres, 284 meninas, oito homens e sete meninos. Os números representam apenas a ponta de um iceberg, segundo a avaliação, devido à subnotificação.
A maior parte dos casos foi atribuída a combatentes da RSF e milícias associadas, embora o Exército e seus aliados também tenham sido acusados de violência. A organização reforça que o crime é passível de responsabilização como crime de guerra, ou, se parte de ataque generalizado, crime contra a humanidade.
Contexto do conflito
O conflito começou após desentendimentos entre o Exército e a RSF, agravando-se desde 2023. A violência tem provocado uma das piores crises humanitárias do mundo, com mais de 11 milhões de pessoas deslocadas e 28 milhões enfrentando insegurança alimentar aguda, segundo agências de ajuda.
Alerta internacional sobre El-Obeid
Paralelamente, o Reino Unido e seis países europeus pedem cessar imediato da violência em El-Obeid, temendo um grande ataque da RSF para tomar a cidade. O grupo alertou para sinais de ofensiva iminente e criticou interrupção de serviços e redes de apoio.
Implicação estratégica e impacto humano
El-Obeid tornou-se linha de frente por sua posição entre áreas controladas pela RSF e pelo Exército, com relevância estratégica para petróleo e infraestrutura. Dados de observadores indicam que ataques com drones vêm ocorrendo na região, dificultando a vida de mais de 200 mil deslocados que buscam abrigo na cidade.
Reação internacional e contexto recente
O alerta internacional foi feito por meio de uma declaração conjunta de 7 países europeus, destacando a necessidade de atuação rápida da comunidade internacional para evitar crimes de guerra semelhantes aos vistos em outros episódios recentes, como El Fasher. Em El Fasher, registros apontam dezenas de milhares de mortos em ações passadas associadas ao conflito.
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