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Conglomerado dominado por militares drena as riquezas de Cuba

Sanções americanas atingem Gaesa, núcleo econômico das Forças Armadas de Cuba, aumentando a pressão sobre o regime diante da crise de abastecimento

Sede da Gaesa em Havana, capital de Cuba (Foto: Ernesto Mastrascusa/EFE)
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  • O Gaesa, conglomerado militar, é apontado como o principal centro de poder econômico de Cuba, controlando setores lucrativos como turismo, varejo, finanças e logística.
  • O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou sanções a cinco entidades cubanas, incluindo três ligadas ao Gaesa: Almacenes Universales S.A., Rafin S.A. e Banco Financiero Internacional (BFI).
  • A sanção mais ampla ocorreu em maio; a general Ania Guillermina Lastres Morera, presidente-executiva do Gaesa, também foi alvo.
  • Segundo um relatório da Escola de Direito da Universidade de Columbia, o Gaesa domina grande parte da economia cubana via Gaviota, Cimex, TRD Caribe, Rafin S.A. e BFI, respondendo por cerca de 34% das exportações totais e 41% dos serviços.
  • O estudo aponta que o Gaesa controla ativos que somam até US$ 20 bilhões, gera lucros significativos e opera sem auditorias ou transparência, funcionando como “um Estado dentro do Estado” e beneficiando uma elite séria de atividades na ilha.

O conglomerado militar Gaesa voltou a figurar entre as principais estruturas de poder econômico de Cuba. Considerado o braço financeiro das Forças Armadas, ele atua em setores estratégicos como turismo, varejo, finanças e logística, segundo fontes oficiais dos EUA.

Nesta terça-feira (23), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou sanções contra cinco entidades cubanas, incluindo três ligadas à Gaesa: Almacenes Universales S.A., Rafin S.A. e o Banco Financiero Internacional (BFI). As medidas ampliam ações iniciadas em maio.

O governo americano aponta que a Gaesa reúne ativos significativos e controla receitas que, conforme estimativas oficiais, superam o orçamento estatal. Relatórios apontam que a reserva de ativos ilícitos do grupo pode chegar a US$ 20 bilhões, com operações que não passam por auditorias cubanas.

Estrutura econômica e atuação

A Gaesa domina setores lucrativos por meio de afiliadas como Gaviota (turismo) e Cimex/TRD Caribe (varejo e atacado). Também atua no sistema financeiro via Rafin S.A. e BFI, além de operações de remessas, logística e construção. Estima-se que as exportações do grupo alcancem cerca de 34% do total cubano.

Relatórios de pesquisa indicam que a participação da Gaesa nas exportações sobe para 41% quando considerados serviços. As reservas líquidas do conglomerado são calculadas em torno de US$ 14,5 bilhões, com ativos que operam quase como uma estrutura paralela ao Estado.

Contexto e críticas

Especialistas destacam que a Gaesa funciona como uma “estrutura paralela” à economia cubana, com pouca transparência e sem prestação de contas às instâncias oficiais. Em declarações diplomáticas, autoridades dos EUA destacam o papel do grupo na concentração de riqueza e no impacto sobre serviços públicos.

A análise ressalta que, mesmo diante da crise econômica, a Gaesa mantém lucros e financia investimentos hoteleiros, enquanto setores da população enfrentam escassez, apagões e subinvestimento em infraestrutura. O governo cubano não anunciou medidas para reequilibrar o controle econômico.

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