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Cristão cego é absolvido após 10 meses preso por blasfêmia

Absolvido após quase dez meses de prisão por blasfêmia, católico cego no Paquistão evita pena de morte; caso evidencia falhas na acusação

Muçulmano lê o Alcorão em uma mesquita no Paquistão: país tem punições por blasfêmia
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  • Tribunal de sessões em Lahore absolveu Nadeem Masih, católico cego de 49 anos, das acusações sob a Seção 295‑C da lei de blasfêmia, em 22 de junho.
  • Masih ficou quase dez meses preso desde agosto de 2025, sob acusação de blasfêmia que prevê pena de morte obrigatória.
  • A defesa afirmou que as evidências eram fracas: relatório policial apontava blasfêmia às 23h, horário em que o parque já fechava às 21h, e duas testemunhas contrárias à versão da acusação.
  • A família disse que a acusação derivou de uma disputa com empreiteiros no Parque Nawaz Sharif, local onde Masih trabalhava operando uma balança, e que houve assédio financeiro.
  • Grupos de direitos humanos destacam a gravidade do tema no Paquistão, com centenas de prisões por blasfêmia em Punjab em 2025, e organizações cristãs como a Christian Solidarity International (CSI) atuam para defender casos semelhantes.

Nadeem Masih, católico cego de 49 anos, foi absolvido por um tribunal de Lahore no dia 22 de junho, após quase 10 meses preso. Ele era acusado de blasfêmia sob a Seção 295-C, que prevê pena de morte.

O juiz Saad Salman Khan concluiu que as evidências apresentadas pela acusação não sustentavam as alegações. Masih havia sido detido em agosto de 2025, ainda sob custódia no momento do veredito.

Segundo a defesa, as informações do relatório policial não batiam com a linha das testemunhas da acusação, o que fragilizou o caso. O advogado destacou dificuldades trazidas pela deficiência de Masih.

A família de Masih afirma que a acusação surgiu de uma disputa com empreiteiros do Parque Nawaz Sharif, onde ele operava uma balança para visitantes. Os parentes dizem ter recebido ameaças e buscaram abrigo.

A blasfêmia é tema sensível no Paquistão e costuma gerar violência contra minorias religiosas. Em Punjab, 812 pessoas foram presas por casos relacionados ao tema em 2025, conforme relatório da Comissão de Direitos Humanos.

Grupos cristãos informam que oito cristãos, incluindo duas mulheres, foram absolvidos ou obtiveram fiança na primeira metade de 2026, todos na mesma província.

A Christian Solidarity International (CSI) tem atuado para apoiar defesas de pessoas acusadas. Em cinco anos, a CSI ajudou a absolver 15 pessoas, entre cristãos e muçulmanos, com apoio jurídico e financeiro.

Anjum James Paul, da CSI, ressaltou a importância de equipes com advogados muçulmanos em casos de blasfêmia para reduzir pressão pública. Observou ainda a necessidade de diretrizes que envolvam estudiosos religiosos e autoridades.

Além da decisão de Masih, grupos de apoio a famílias atingidas por falsas acusações celebraram o veredito, destacando que decisões de primeira instância podem frear pressões sociais.

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