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Estudo vazado alerta danos irreversíveis por mina de ferro na Guiné UNESCO

Estudo vazado alerta para danos irreversíveis ao ecossistema de Mount Nimba; AGEE avalia a ESIA e UNESCO pode exigir ajustes antes de qualquer decisão

Western chimpanzee (Pan troglodytes verus), Nzérékoré, Guinea. Image by augustofaustino via iNaturalist (CC BY-NC 4.0)
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  • O Ministério do Meio Ambiente da Guiné vai revisar a avaliação ambiental e social do projeto Kon Kweni, uma mina de ferro nos Montanhas Nimba, área da Reserva Stricta de Nimba.
  • A avaliação vazada aponta riscos diretos e danos irreversíveis aos ecossistemas da serra, que abriga espécies endêmicas e é reconhecida pela UNESCO como sítio do Patrimônio Mundial.
  • O estágio inicial prevê produção de dois milhões de toneladas métricas de ferro por ano, com possibilidade de chegar a cinco milhões; a segunda fase, em 2029, ampliaria para entre vinte e cinco e trinta milhões por ano.
  • AAGEE e UNESCO analisarão o relatório, podendo exigir alterações ou até rejeitar o projeto caso alternativas menos danosas não sejam consideradas.
  • Críticas destacam falhas na avaliação de alternativas, impactos sobre chimpanzés, morcegos e anfíbios, além de questões de conformidade com padrões do IFC; a IUCN já expressou preocupações sobre os impactos.

O Ministério do Meio Ambiente da Guiné vai analisar, nos próximos meses, uma avaliação de impacto ambiental e social ESIA do projeto Kon Kweni, de minério de ferro, nas Montanhas Nimba. A proposta envolve a extração no Mount Nimba Strict Nature Reserve, site da UNESCO, o que acende alerta sobre riscos diretos e irreversíveis para a biodiversidade da região. O estudo aponta danos potenciais à sobrevivência de espécies endêmicas caso a mineração avance.

O ESIA, fonte de diretrizes para concessão de licença, foi encomendado pela Ivanhoe Atlantic e elaborado pela consultoria francesa Biotope. O documento descreve como a empresa planeja desenvolver a concessão de Nimba e os impactos esperados. A AGEE, órgão regulador ambiental da Guiné, vai avaliar os impactos e as medidas de mitigação propostas, bem como a abrangência da avaliação.

Seydou Cissé, diretor da AGEE, informou que o relatório precisa comparar planos com alternativas menos danosas — incluindo a não realização da mineração. Se não houver comparação adequada, o projeto pode ser rejeitado, ou exigir revisões metodológicas. A AGEE também pretende consultar a UNESCO antes de qualquer decisão final.

Desdobramentos e padrões internacionais

A Ivanhoe descreve o projeto em duas fases, com início de produção de 2 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a 5 milhões t/ano. A segunda fase, prevista para 2029, ampliaria a produção entre 25 e 30 milhões t/ano. O ESIA vazado refere apenas a essa primeira etapa, incluindo a abertura de um corredor de 40 metros para uma estrada até o local de processamento.

A estrada deverá concentrar tráfego intenso de caminhões de 90 toneladas, movendo o minério de um pátio de processamento para Yekepa, na fronteira com a Libéria. Especialistas alertam que a construção pode fragmentar habitats e afetar espécies sensíveis da região.

Entre os impactos destacados estão a interrupção de habitats de chimpanzés ocidentais, o potencial aumento de conflitos com a vida selvagem e alterações no regime hídrico. Também há preocupação com morcegos endêmicos, sapos e outras espécies cuja sobrevivência depende do ecossistema de montanha.

A avaliação indica que muitos desses impactos seriam irreversíveis conforme padrões da IUCN, o que coloca em risco o valor universal excepcional do local, protegido pela UNESCO. A discussão envolve ainda a conformidade com padrões de sustentabilidade do IFC, que orientam impactos ao longo do ciclo de vida do projeto e a avaliação de alternativas.

posição institucional e condições

A AGEE pode aprovar, exigir modificações ou rejeitar o ESIA. Mesmo com aprovação, a UNESCO deverá se manifestar antes de o projeto seguir adiante. A IUCN já havia expressado preocupações sobre os impactos potenciais nas áreas próximas à reserva. A decisão final depende da avaliação de múltiplos estágios do projeto, inclusive construção, operação e restauração.

Especialistas independentes apontam limitações da análise de alternativas e a ausência de avaliação de cenários que não impliquem mineração. A narrativa indica ainda que benefícios para comunidades locais, mencionados no estudo, podem ser de curto prazo, com possíveis desligamentos após a fase de construção.

A avaliação busca cumprir exigências internacionais, incluindo avaliações para todas as fases do empreendimento. A agência guineense aponta que qualquer lacuna relevante pode abrir margem para nova revisão do ESIA.

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