- Ex‑presidente Evo Morales afirmou à AFP, no Chapare, que o governo da Bolívia está forçando uma guerra civil com uma política neoliberal, enquanto permanece refugiado.
- Várias cidades enfrentam escassez de alimentos, combustíveis e remédios devido a bloqueios de estradas promovidos em protestos contra o presidente Rodrigo Paz.
- Paz decretou estado de exceção para tentar remover os bloqueios, após assumir o governo e encerrar 20 anos de gestões de esquerda.
- Morales disse que não se renderá e acusou o governo de tentar intervir no Chapare, reduto político dele, para prendê-lo.
- O ex‑mandatário enfrenta mandado de prisão por suposto caso de tráfico de menor, que ele nega, alegando perseguição política.
O ex-presidente Evo Morales disse nesta terça-feira que o governo da Bolívia está promovendo uma guerra civil com uma política neoliberal. A declaração foi dada em entrevista à AFP na região do Chapare, onde ele está refugiado. Segundo Morales, o governo não negocia e utiliza medidas para enfraquecer a oposição.
Ele reconheceu a presença de apoiadores próximos ao seu refúgio em Lauca Eñe e informou que diversos postos de controle foram visitados pela imprensa. Acompanhado por simpatizantes, alguns portando ferramentas simples, Morales reforçou que não se renderá caso haja intervenção no Chapare.
Contexto dos protestos e cenário econômico
Várias cidades bolivianas enfrentam desde semanas escassez de alimentos, combustíveis e remédios provocada por bloqueios de estradas. As ações ocorrem num momento de crise econômica que atinge o país, marcado por tensões entre oposição e governo de centro-direita.
O presidente Rodrigo Paz, que encerrou 20 anos de governos de esquerda, declarou estado de exceção no último fim de semana para permitir a remoção dos bloqueios. A medida foi tomada após semanas de protestos contra seu governo.
Ações legais contra Morales
Morales é alvo de um mandado de prisão relacionado a um suposto caso de tráfico de menor, cuja acusação ele nega. O ex-presidente classifica a ação como perseguição política e disse que não aceitará acordos que comprometam sua posição.
Em resposta às ameaças de intervenção, Morales afirmou que a defesa da folha de coca está ligada à soberania e à dignidade do povo. Ele denunciou uma política neoliberal que, segundo ele, busca impor mudanças abruptas sem consenso.
Perspectiva de desfecho
A entrevista ocorreu após diversos confrontos entre forças de segurança, grupos de apoio ao ex-presidente e militantes da oposição, sem que haja consenso sobre o futuro político do país. A situação segue sob vigilância, com incertezas sobre próximos passos do governo e de Morales.
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