- Lançada em Londres durante a Semana de Ação Climática, a campanha global Electrify Now propõe acelerar a substituição de combustíveis fósseis pela eletricidade.
- O movimento tem apoio de nove países, da União Europeia e da presidência brasileira da COP30, além de quarenta organizações ao redor do mundo.
- A meta é ampliar o uso de eletricidade no consumo final de energia, com foco em transporte, indústria e edificações; a Turquia já anunciou a meta de 35% até 2035.
- O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou e alertou para a necessidade de ampliar a adaptação às mudanças climáticas, além de reduzir a dependência de fósseis.
- Líderes da COP31 e da COP30 destacaram que a eletrificação é eixo central da transição energética e que o Brasil já traçou caminhos para avançar nesse processo.
O lançamento ocorreu em Londres, durante a Semana de Ação Climática, em meio a uma onda de calor que atingiu várias cidades europeias. A iniciativa busca acelerar a substituição de combustíveis fósseis pela eletricidade como principal fonte de energia, em setores como transporte, indústria e edifícios.
Batizada de Electrify Now, a campanha reúne apoio de nove países, da União Europeia e da presidência brasileira da COP30, realizada em Belém no ano passado. Ao todo, 40 organizações internacionais também apoiam a iniciativa.
Contexto e metas globais
A Turquia, que sediará a COP31, já estabeleceu a meta de que a eletricidade responda por 35% do consumo final de energia até 2035. A mobilização destaca a eletrificação como forma rápida de reduzir emissões e a dependência de petróleo, gás e carvão.
O secretário-geral da ONU participou do evento e ressaltou que Londres vive temperaturas extremas, refletindo o desafio das mudanças climáticas. Ele enfatizou que a adoção da eletrificação pode acelerar a queda de emissões, mas lembrou a necessidade de financiar a adaptação.
A agenda também aponta a adaptação como parte central da crise climática. Segundo gouvernantes, bancos centrais e órgãos de planejamento devem incorporar esse tema em decisões fiscais e regulatórias para ampliar a resiliência econômica.
Papel da eletrificação e liderança global
Atualmente, a eletricidade representa cerca de 20% do consumo final de energia mundial. A campanha visa ampliar esse peso, com foco em transporte, indústria e edificações, para reduzir a exposição a oscilações dos mercados de energia.
O Conselho da Global Renewables Alliance, que organiza a iniciativa, destacou que conflitos geopolíticos elevam os preços da energia, tornando a transição mais necessária. O líder da entidade ressaltou a maior resiliência dos países com maior participação de eletricidade.
Murat Kurum, indicado como presidente da COP31, afirmou que há uma oportunidade para ampliar a participação da eletricidade no mix energético global até 2035 e fortalecer a cooperação internacional. O embaixador André Corrêa do Lago, responsável pela COP30, reiterou o compromisso com a eletrificação como eixo central das políticas climáticas e não indicou a necessidade de reabrir negociações, mas avançar com o que já foi acordado.
Perspectivas e impactos econômicos
Líderes presentes destacaram que a expansão da eletricidade pode reduzir a volatilidade dos preços de energia e melhorar a segurança energética. A transição é vista como instrumento para manter competitividade econômica no longo prazo, sem depender fortemente de combustíveis fósseis.
A Comissão Europeia ficou responsável por apontar o caminho para a descarbonização, com a presidente Ursula von der Leyen reforçando que reduzir a importação de fósseis diminui vulnerabilidades econômicas. A eletrificação, segundo ela, representa uma transição para maior resiliência.
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