- As negociações entre os EUA e o Irã enfrentam dificuldades, especialmente sobre o programa nuclear e o memorando de entendimento assinado recentemente, visto como frágil.
- O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irã aceitou inspeções da AIEA e que os recursos liberados devem ser usados para alimentos ou suprimentos médicos; o Iran negou justamente qualquer influência dos EUA sobre esses recursos.
- Para o analista Migon, a questão nuclear é essencial para a soberania e a sobrevivência do Irã, e há divergência significativa entre as partes sobre como chegar a um acordo.
- O Irã busca manter ambiguidade sobre a quantidade de urânio enriquecido, com a AIEA sem visão precisa sobre os 441 quilos, em instalações como Fordow, Isfahan e Natanz.
- No Estreito de Ormuz, o memorando prevê conversas com Omã para definir a gestão da passagem; o grupo de trabalho formado foi anunciado por Teerã e Omã, enquanto o governo americano sustenta que o Irã não pode impor cobranças pelo tráfego.
As negociações entre os Estados Unidos e o Irã para um acordo definitivo passaram por obstáculos relevantes, com o foco no programa nuclear iraniano. O memorando de entendimento assinado recentemente é visto por analistas como frágil e sujeito a alterações nos próximos 60 dias.
Especialistas destacam que as versões apresentadas pelos dois países divergem expressivamente. O governo dos EUA afirma ter avanços condicionados à visita de inspetores da AIEA a instalações danificadas por ataques, enquanto o Irã sustenta que as condições e o ritmo das negociações devem respeitar sua soberania.
Panorama estratégico
Eduardo Migon, professor da Eceme, avalia que a questão nuclear representa uma ameaça existencial para o Irã e uma preocupação de segurança para Israel, parceiro regional. Ele aponta que os Estados Unidos desejam construir uma narrativa de vitória, buscando neutralizar qualquer elemento nuclear na disputa.
Lourival Sant’Anna, analista da CNN, observa que o Irã pode manter certa ambiguidade sobre o estoque de urânio altamente enriquecido. Instalações como Fordow, Isfahan e Natanz foram alvo de ataques, o que dificulta obter visibilidade sobre os 441 quilos de material enriquecido ainda em questão.
Impactos e tensões regionais
O Estreito de Ormuz emerge como ponto sensível, com o Irã e Omã formando um grupo de trabalho para definir a gestão das passagens após um eventual acordo final. O governo dos EUA sustenta que nenhuma cobrança pelo trânsito pode ser imposta pelo Irã.
No âmbito interno norte-americano, o Senado aprovou uma resolução que recomenda o encerramento das operações militares contra o Irã ou a obtenção de autorização presidencial do Congresso. A decisão não tem força legal, mas sinaliza pressão política relevante.
Riscos de escalada
Analistas destacam ainda o risco de reacendimento de hostilidades, dada a atuação descentralizada da Guarda Revolucionária iraniana e a capacidade de resposta com mísseis. O Irã já realizou ações militares de alcance global, o que amplia a preocupação com consequências para a região e para a Europa.
Migon ressalta a necessidade de fortalecer a presença da AIEA no monitoramento nuclear, para aumentar a legitimidade e reduzir incertezas no processo de negociação. A combinação de programa nuclear e potencial de mísseis permanece como elemento sensível para o cenário internacional.
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