- Painel do Energy Summit, no Rio, discutiu os impactos geopolíticos no Estreito de Ormuz e a volatilidade do petróleo para a segurança energética global.
- Maurício Tolmasquim, consultor do Banco Mundial, pediu que o setor avalie cenários mais extremos e pense em seguros de risco como recurso estratégico.
- Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que uma interrupção em Ormuz, que responde por cerca de um quinto do petróleo transportado por mar, provocou um dos choques de preços mais intensos desde 2022, atingindo mais os países emergentes.
- Tolmasquim afirmou que a produção e o consumo de petróleo devem continuar por bom tempo, e que a reposição de reservas é essencial para manter a produção.
- Em relação à transição energética, houve referência ao uso de biomassa (etanol, biodiesel, SAF) e biometano, ao papel crescente das renováveis para segurança de abastecimento e à necessidade de maior nacionalização da indústria, com destaque para a China na produção de equipamentos.
Diante das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz e da volatilidade do petróleo, o setor de combustíveis monitora impactos potenciais na segurança energética global. Maurício Tolmasquim, consultor do Banco Mundial, pediu que o setor avalie cenários mais extremos, como faz o setor elétrico, mantendo vigilância de risco.
No Energy Summit, realizado no Rio de Janeiro, Tolmasquim destacou que custos são esperados, mas a visão de risco pode justificar medidas como seguros estratégicos, diante de possíveis choques de preço e interrupções. O tema ganhou relevância em meio a instability regional.
Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a eventual interrupção em Ormuz, responsável por cerca de 20% do óleo transportado por mar, provocaria choques de preço expressivos, impactando especialmente emergentes com menos folga fiscal.
Tolmasquim exerce também função no conselho da Axia Energia. Ele aponta que produção e consumo de petróleo devem permanecer significativos por algum tempo, e que vulnerabilidades na cadeia de suprimento podem exigir novas refinarias conforme a equação de custos.
Alternativas para geração de energia
O especialista citou biomassa como vetor de descarbonização do transporte, com etanol, biodiesel, SAF e biometano, que pode substituir o gás natural em frotas de caminhões. Renováveis ganham peso pela eletrificação industrial e mobilidade elétrica.
Renováveis são vistas como estratégicamente importantes para a segurança de abastecimento, por serem fontes domésticas. Tolmasquim alerta para a necessidade de maior nacionalização da produção de equipamentos, hoje fortemente concentrada na China.
Marcelo Simas, professor do Energy Hub SDP, comentou que reduzir a produção fóssil não parece viável no cenário geopolítico atual, ressaltando o papel do Brasil e potencialidades na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas. O pré-sal foi citado como necessidade de novas fronteiras.
Simas apontou que a exploração de óleo e gás representa 1% das emissões de gases de efeito estufa, destacando que desmatamento, queimadas e uso do solo correspondem à maior parcela. Projeções indicam liderança brasileira na produção até 2030.
O professor mencionou ainda o projeto de um hub de inovação privado do Grupo Sai do Papel, criado para reduzir a dependência de diesel importado (30%) e de fertilizantes, fortalecendo a dependência nacional de insumos.
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