- Integrantes do Talibã participaram de reunião em Bruxelas nesta terça-feira (23) para discutir o retorno de afegãos exilados ao Afeganistão, em um encontro considerado o primeiro entre representantes do regime e a União Europeia.
- A UE quer priorizar o retorno de pessoas que representam ameaça à segurança ou que cometeram crimes graves, com cerca de quinze Estados-membros participando das discussões técnicas.
- As conversas, iniciadas em Cabul em janeiro de 2026, concentram-se na identificação de repatriados, emissão de documentos de viagem e procedimentos de retorno; a UE não reconhece o governo talibã.
- Críticas a respeito da legitimidade do diálogo vieram de defensores dos direitos humanos, incluindo a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, além de organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch.
- Cinco representantes talibãs já teriam entrado na Bélgica para a reunião, com vistos concedidos após avaliação de perfis pelos serviços de inteligência, que consideraram não haver risco à segurança.
Poucos dias após viagens anteriores ao Afeganistão, representantes do Talibã estiveram em Bruxelas nesta terça-feira (23) para discutir com a União Europeia o retorno de afegãos exilados. O encontro ocorreu na cidade belga e envolveu questões de readmissão e documentação de migrantes. A reunião não significou reconhecimento político do regime.
Segundo a Comissão Europeia, o encontro teve caráter técnico e envolveu autoridades de cerca de 15 Estados-membros. A pauta priorizou identificar indivíduos repatriáveis, emissão de documentos de viagem e procedimentos de retorno ao Afeganistão.
Autoridade afegã não identificada, sob anonimato, afirmou que as conversas foram construtivas e podem trazer desdobramentos positivos. A delegação talibã foi chefiada por Abdul Qahar Balkhi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão.
Markus Lammert, porta-voz da Comissão, confirmou o formato técnico do encontro realizado na Bélgica com participação de representantes europeus e autoridades afegãs. A reunião sucede a uma rodada anterior em Cabul, em janeiro de 2026.
A UE afirma que busca reduzir fluxos de migrantes que representem risco à segurança ou que tenham envolvimento em crimes graves. Países-membros discutem mecanismos de retorno de afegãos desde 2013, com cerca de 1 milhão de pedidos de asilo registrados até 2024.
A presença de representantes talibãs provocou críticas de defensores dos direitos humanos. Anistia Internacional organizou protesto em frente à Comissão Europeia, e a HRW pediu que a UE responsabilize o regime pelo que descreve como abusos.
Malala Yousafzai, Nobel da Paz, abriu declarações saudando a importância do diálogo, mas disse estar abalada com a situação de direitos humanos no Afeganistão. A ativista acusou autoridades talibãs de repressão contra mulheres que se manifestam.
A UE enfatiza que a reunião foi coordenada com a Suécia e não envolve os principais líderes talibãs. Em Bruxelas, governos discutem, ainda, soluções diplomáticas e pragmáticas para a questão migratória.
Brasil de dados aponta que a UE recebeu cerca de 1 milhão de pedidos de asilo de afegãos entre 2013 e 2024, com aproximadamente metade ter sido aprovada no período. Entre os temas, está a cooperação para readmissão de migrantes.
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