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Intervenções em eleições podem ter efeito contrário, diz Amorim sobre Trump

Amorim diz que interferência dos EUA pode ter efeito contrário; Brasil deve agir com pragmatismo e proteger minerais críticos como petróleo

Em maio, Flávio Bolsonaro se encontrou com Donald Trump. Em seguida, o governo dos EUA designou facções criminosas brasileiras como entidades terroristas e anunciou a possível imposição de tarifas a produtos brasileiros
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  • Assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, diz que EUA não devem interferir diretamente nas eleições brasileiras, mas alerta para possíveis efeitos indiretos e para o risco de uso político da designação do PCC e do Comando Vermelho como entidades terroristas e de novas tarifas.
  • A quatro meses das eleições, assessores próximos a Lula veem as medidas dos EUA como tentativa de influenciar o processo eleitoral, especialmente após declaração de Trump sobre Lula ser volátil em entrevista ao Axios.
  • Amorim defende postura pragmática do Brasil diante de governos de direita na América do Sul e afirma que o país deve proteger reservas de minerais críticos da mesma forma que protege o petróleo.
  • O embaixador destaca a importância de não permitir que investimentos estrangeiros comprometam a autonomia estratégica em minerais, citando terras raras e a possível necessidade de instrumentos de veto ou controle.
  • O Brasil busca fortalecer multilateralismo e parcerias, mantendo soberania e cooperação com Estados Unidos, União Europeia e países da região, sem abrir mão de seus interesses estratégicos.

O assessor de assuntos internacionais de Lula, Celso Amorim, afirmou à BBC News Brasil que tentativas de intervenção dos EUA nas eleições brasileiras podem ter efeito contrário, especialmente diante da designação de facções criminosas como PCC e CV como entidades terroristas e da ameaça de novas tarifas. Ele ressaltou que o governo brasileiro não espera uma interferência direta, mas permanece em alerta quanto a pressões econômicas ou políticas.

Amorim indicou que o Brasil busca manter cooperação com Estados Unidos e Europa no combate ao crime, ao mesmo tempo em que preserva sua soberania diante de pressões externas. Ele destacou a necessidade de evitar uso de medidas externas como pretexto para interferência, seja econômica, financeira ou militar, especialmente com o cenário de proximidade entre Lula e Trump no recente ciclo diplomático.

O embaixador Ademais, que atua próximo a Lula, também ponderou que o Brasil deve adotar postura pragmática diante da ascensão de governos de direita na região. A cooperação multilateral e o respeito à soberania de cada país são defendidos como pilares para a integração sul-americana, sem submissões a blocos externos.

Relação com os minerais críticos

Entre os temas destacados por Amorim, a proteção das reservas de minerais estratégicos, como as terras raras, foi enfatizada. O embaixador alegou que o Brasil precisa preservar esse patrimônio de forma equivalente à proteção do petróleo, e citou o risco de que empresas estrangeiras controlem minas estratégicas. Ele afirmou que o país deve ter capacidade de definir suas necessidades e, se for o caso, recusar exportações para não comprometer sua produção.

Amorim também mencionou a importância de uma regulação das big techs para evitar interferência indevida na política. Segundo ele, a liberdade de expressão não pode servir de justificação para desinformação ou manipulação de eleições, reforçando a busca por um marco regulatório adequado.

Contexto regional e multilateral

Na avaliação dele, a liderança do Brasil na região não é objetivo, mas um peso natural decorrente de sua importância econômica e demográfica. O chanceler defendeu uma linha de atuação que mantenha a integração sul-americana, com cooperação e respeito mútuo, mesmo quando houver discordâncias com alguns governos da região.

Amorim citou ainda avanços na relação com a União Europeia, reconhecendo que o bloco pode impor padrões que exigem negociação multilateral. Em relação à Venezuela, o embaixador disse que o Brasil não pode julgar ações de quem governa, mas expressou preocupação com o rumo do país e com a necessidade de autonomia decisória em assuntos estratégicos.

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