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Por que Santa Lúcia enfrenta falta de água no abastecimento

Crise de água em Santa Lúcia persiste, com perda estimada de 45% da água potável por vazamentos e necessidade de captação de água em casa

Anja Fernand’s family farm captures thousands of gallons of rainwater a year to help see them through periods of scarcity. All photographs by Lesley-Ann Regis
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  • A escassez de água em São Lourenço (St Lucia) afeta higiene e alimentação, levando famílias a usar tanques, água da chuva e água vendida por empresas privadas.
  • Investimentos públicos e bilaterais somam milhões de dólares, incluindo pelo menos 80 milhões de dólares do Banco Mundial entre 2020 e 2025, ainda assim considerados insuficientes.
  • Cerca de 45% da água potável produzida pela única empresa de água do país sofre perdas por vazamento em redes antigas e mal conservadas.
  • Mudanças climáticas e El Niño reduzem as chuvas e provocam distribuição irregular, pressionando a demanda, especialmente no setor hoteleiro.
  • Especialistas apontam necessidade de mais armazenamento de água e captação de água da chuva, já que não se pode contar com abastecimento diário.

A escassez de água em Santa Lúcia agravou-se nos últimos meses, mesmo com investimentos significativos. Governo, Wasco e setor hoteleiro enfrentam dilemas entre fornecimento estável, perdas de água e demanda turística elevada. A crise atinge higiene, alimentação e atividades diárias da população.

Conforme o início da estação chuvosa em maio, moradores relataram interrupções no abastecimento que obrigaram famílias a depender de tanques, captação de água da chuva e água engarrafada comprada de empresas privadas. A situação levou o setor de turismo a cogitar barcaça de água.

Quem acompanha o tema aponta que, apesar de chuvas recentes, especialistas alertam que o fenômeno El Niño pode reduzir os reflexos dessas precipitações. Santa Lúcia depende de água superficial para o consumo, tornando-se vulnerável a secas ou volumes excessivos.

A crise persiste há mais de uma década e envolve disputas políticas entre os dois principais partidos: SLP, do primeiro-ministro Philip J Pierre, e o UWP, com críticas à gestão dos recursos hídricos. Investimentos multilaterais já chegaram, mas não sanaram o problema estrutural.

Investimentos e desafios

Mais de 80 milhões de dólares financiados pelo Banco Mundial, entre 2020 e 2025, passaram por projetos para reforçar a resiliência, sem neutralizar as perdas de água. A estiagem constante e a baixa tarifação dificultam a manutenção de infraestrutura.

Especialistas apontam que aproximadamente 45% da água potável produzida pela única empresa de água e saneamento (Wasco) é perdida por vazamentos. Redes de 1.125 km, em grande parte antigas, agravam o desperdício e elevam custos operacionais.

Estruturas e uso da água

Além da inadequação de infraestrutura, a degradação do terreno, desmatamento e erosão aumentam a sedimentação de reservatórios, reduzindo a capacidade de armazenamento. O reservatório John Compton Dam, que abastece metade da população, sofre com acúmulo de limo.

Para enfrentar a crise, especialistas defendem maior armazenamento doméstico de água e captação de água da chuva. Mesmo com chuvas, grande parte da água corre para rios e oceano, segundo as avaliações técnicas. A perspectiva é de que a situação se agrave sem mudanças estruturais.

Perspectiva local

Moradores, como agricultores, relatam variações climáticas que dificultam o planejamento hídrico. Em meio a incertezas, há acordo sobre a necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento e melhorar a gestão da água, para evitar rupturas no abastecimento.

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