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Cubanos enfrentam fome e medo ao tentar entrar no Brasil com coiotes

Cubanos enfrentam fome, abandono e cobrança de coiotes na rota até o Brasil, procurando refúgio gratuito apesar dos riscos e da desinformação

Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil
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  • Cresce o número de cubanos que cruzam a fronteira do Brasil com a Guiana em busca de refúgio, muitas vezes enfrentando fome, medo e exploração financeira por coiotes.
  • A rota principal liga Lethem, na Guiana, a Bonfim, em Roraima, com travessias noturnas do Rio Tacutu; alguns chegam de avião até Lethem.
  • Entre oito e onze de junho, a Polícia Rodoviária Federal resgatou duzentos e oitenta e nove cubanos; um dos resgatados foi Ávila Basulto, de dezoito anos.
  • Os custos variam conforme o trajeto: passagem de Havana a Georgetown chega a US$ 1,5 mil por adulto; Lethem a Boa Vista fica entre US$ 350 e US$ 500; pacotes completos vão de US$ 2,8 mil a US$ 10 mil.
  • Pode solicitar refúgio gratuitamente à Polícia Federal, mas muitos não sabem; não há estrutura de acolhimento adequada na fronteira, o que os deixa vulneráveis a criminosos.

Um grupo de cubanos tem enfrentado condições extremas para chegar ao Brasil pela fronteira com a Guiana. O relato comum: fome, medo, separação de familiares e abandono durante a travessia, muitas vezes com custos altos pagos a coiotes. Muitos chegam sabendo apenas que podem pedir refúgio gratuitamente no Brasil, mas não dominam o processo legal.

A rota clandestina mais utilizada liga Lethem, na Guiana, a Bonfim, em Roraima. Após atravessar o Rio Tacutu, os migrantes seguem em pequenas embarcações à noite. Entre os que vivem essa realidade está Evelio Vázquez, 45 anos, que criou uma associação informal para apoiar os conterrâneos em Boa Vista.

O recém-chegado Ávila Basulto, 28, foi resgatado pela Polícia Rodoviária Federal no início deste mês. Ele estava entre 189 cubanos resgatados entre 8 e 11 de junho. Basulto relatou ter pago cerca de US$ 300 para deixar Lethem e chegar a Boa Vista, mas acabou abandonado na estrada.

Outro participante, Thomas Joel Franco, descreveu cinco dias sem alimento adequado durante a jornada entre a Guiana e o Brasil. Ele relatou passar por poços d’água, rios e condições duras, sem saber que poderia solicitar refúgio gratuitamente à PF.

O que acontece e quem está envolvido

Migrantes relatam falhas no acolhimento na fronteira, o que os deixa vulneráveis a abusos. O grupo cita cobrança de valores em dólar para diferentes trechos da viagem, com preços que variam conforme o trajeto. Em alguns casos, famílias chegam a vender bens para financiar a passagem.

Evelio, que divide a narrativa com o filho epiléptico, afirma que o filho foi separado em um momento da viagem, o que intensificou o desespero. Além disso, o custo total da operação muitas vezes envolve pacotes completos, que incluem deslocamento até cidades brasileiras diversas.

Quando, onde e por quê

Os relatos apontam que a chegada ocorre por meio de Lethem e Boa Vista, com o trecho final envolvendo Bonfim, no estado de Roraima. A viagem é motivada pela deterioração econômica e pela ausência de liberdades em Cuba, conforme descrevem os próprios migrantes.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a rotas são alimentadas pela desinformação sobre o sistema de refúgio brasileiro. Segundo eles, há sim rotas legais disponíveis, mas a falta de orientação adequada facilita a exploração.

Como funciona a rede de apoio e os riscos

Coiotes cobram por passagens aéreas de Havana a Georgetown e por deslocamentos entre cidades na região. Em alguns casos, os custos chegam a milhares de dólares por pessoa, com variações conforme o serviço prestado. Muitos migrantes vendem bens de família para financiar a jornada.

Ao chegar ao Brasil, a falta de estrutura de acolhimento nas fronteiras acentua a vulnerabilidade. A Polícia Federal reforça que migrantes cubanos devem ser tratados com atendimento humanizado e que o refúgio pode ser solicitado gratuitamente, sem depender de intermediários.

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