- O ex-general Roberto Vannacci deixou a Liga de Matteo Salvini em fevereiro e lançou o movimento Futuro Nacional, mirando as eleições de 2027.
- A legenda defende identidade italiana, família tradicional e a chamada “remigração”, que é a deportação forçada de estrangeiros.
- Vannacci tem sido alvo de críticas por declarações homofóbicas, machistas e xenófobas, incluindo ataques a direitos de LGBTQIA+.
- Pesquisas indicam Futuro Nacional com cerca de 5,3% de intenção de voto, empatando com a Liga e atraindo oito parlamentares de partidos governistas.
- A saída de Vannacci quebrou a coalizão de governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que soma 41,5% nas pesquisas, contra 41,9% da oposição; o ex-general publicou um livro com conteúdo considerado racista e foi suspenso do Exército.
General Roberto Vannacci, ex-comandante do Exército, lançou o movimento Futuro Nacional em fevereiro, rompendo com a Liga, de Matteo Salvini. O objetivo é disputar as eleições de 2027 com uma pauta de direita identificada como mais radical.
Vannacci tem ganhado espaço entre eleitores da ultradireita e tem sido alvo de críticas por declarações consideradas homofóbicas, machistas e xenófobas. Ele também se posicionou contra a tipificação do feminicídio no Código Penal italiano.
O novo partido defende a valorização da identidade italiana, a ideia de família tradicional e a chamada remigração, que aponta para a deportação de estrangeiros. A legenda já atraiu oito parlamentares de siglas apoiadas pelo governo.
Oposição e sinais de ruptura
Sua saída da coalizão foi a primeira rachadura no bloco que sustenta Giorgia Meloni. A aliança governista soma 41,5% nas pesquisas, enquanto a oposição centro-esquerda e o Movimento 5 Estrelas fica em 41,9%.
Segundo analistas, Vannacci pode tirar votos da direita moderada, fortalecendo a ala mais radical e possivelmente enfraquecendo a coalizão. O ex-general busca ampliar o apoio entre eleitores com visão contundente.
Vannacci, 57 anos, publicou em 2023 o livro Il Mondo al Contrario, financiado por ele. A obra reúne conteúdos críticos a minorias, incluindo trechos que ofendem homossexuais e pessoas negras, provocando controvérsia e sua suspensão pelo Exército.
O livro tornou-se um dos mais vendidos na categoria ensaio na plataforma de vendas, impulsionando a visibilidade do autor. O ex-militar também declarou apoio a pautas nacionalistas, com críticas a políticas imigratórias.
Panorama político e trajetórias
Vannacci deixou o grupo Patriotas no Parlamento Europeu e, desde fevereiro, integra o que chamou de Europa das Nações Soberanas, alinhado a siglas de direita europeias. Entre elas, países com propostas idênticas de endurecimento migratório.
Fontes próximas à imprensa indicam que Meloni não pretende incorporar o Futuro Nacional a um eventual governo. A premiê italiana mantém postura conservadora desde sua eleição, em 2022, sem sinalizar pacto com o novo movimento.
O ex-general também se apresenta como pró-Rússia. Em declarações públicas, afirmou que sua visão encontra respaldo nos princípios do novo agrupamento europeu ao qual aderiu. O movimento busca consolidar-se como voz de direita radical.
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