- Mercosul promove a 68ª Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum e a Cúpula de Chefes de Estado em Assunção, Paraguai, para discutir abertura de mercados.
- A presidência temporária do Paraguai passa ao Uruguai, que deve dar continuidade à agenda de abertura comercial do bloco.
- Brasil pretende avançar negociações com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Japão, Coreia do Sul, Vietnã e Indonésia, diante de possíveis barreiras tarifárias dos Estados Unidos.
- Países do Mercosul devem abrir negociações formais para um acordo de parceria econômica com o Japão, com marco estratégico já firmado em 2025.
- A cúpula avalia o acordo Mercosul–União Europeia, assinado em janeiro de 2026, que enfrenta resistências de produtores europeus e condicionantes ambientais para a ratificação.
A 68ª Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum e a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul acontecem em Assunção, Paraguai, nos próximos dias. O encontro celebra 35 anos do bloco, em um cenário de cadeias produtivas fragmentadas, disputa geopolítica EUA x China e protecionismo crescente. A agenda aponta a abertura de mercados como necessidade econômica e política.
A presidência paraguaia encerra, e o Uruguai assume, com foco na continuidade da agenda de abertura comercial. O objetivo é consolidar o Mercosul como plataforma de inserção externa, reduzindo dependência de poucos parceiros e ampliando exportações industriais, agrícolas e de serviços.
Brasil e demais membros buscam acelerar negociações com novos parceiros, como Canadá, Emirados Árabes, Japão, Coreia do Sul, Vietnã e Indonésia. A tendência se intensifica diante de possíveis barreiras tarifárias dos EUA sobre produtos brasileiros.
Diálogo com o Japão e novos horizontes comerciais
A grande novidade é iniciar negociações de um acordo de parceria econômica entre Mercosul e Japão. Em 2025, houve marco de parceria estratégica; em 2026, iniciou-se o diálogo político e econômico para a abertura formal das negociações.
O interesse japonês envolve acesso seguro a alimentos, minerais críticos, energia e matérias-primas para alta tecnologia, além da diversificação de cadeias de suprimentos diante do Indo-Pacífico. Para o Mercosul, cresce a perspectiva de exportação de carnes, grãos, celulose, café, açúcar, etanol e industrializados.
Brasil encontra base sólida para avançar nas negociações, com ampla comunidade de ascendentes japoneses e significativa presença de brasileiros no Japão. Essa integração facilita relações políticas e empresariais entre os dois países.
Mercosul e União Europeia sob avaliação cuidadosa
Outro eixo da pauta é a implementação do acordo Mercosul-União Europeia, assinado em janeiro de 2026, após décadas de negociação. Obstáculos: resistência de produtores rurais europeus e questões jurídicas complexas para ratificação.
Governos europeus condicionam a conclusão a exigências ambientais e de sustentabilidade. O pacto é analisado com cautela pela indústria sul-americana, que teme impactos concorrenciais com o mercado europeu.
No conjunto, a cúpula deve discutir ações para ampliar mercados sem perder equilíbrio fiscal. No Brasil, a linha de atuação aposta no pragmatismo diplomático para preservar a agenda de abertura, diante de oposição que pode embargar acordos.
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