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Por que Kim Jong Un evita falar da mãe e de sua linhagem controversa

Regime mantém em segredo a mãe de Kim Jong Un, cuja origem pode colocar em xeque a legitimidade da dinastia e o enredo da linhagem Paektu

BBC A young Ko Yong Hui at the centre, Kim Jong Un on the left, and Kim Jong Il on the right. A Japanese flag (L) and a North Korean flag behind the trio
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  • Kim Jong Un nunca citou publicamente a mãe pelo nome em seus dezoito anos de liderança, e a origem materna é central para a narrativa de legitimidade do regime.
  • A linhagem Paektu, associada ao fundador mítico, é usada para validar o regime; a identidade da mãe é apresentada como potencial ameaça à legitimidade.
  • Ko Yong Hui nasceu em Osaka, em 1952, de pais originários de Jeju, e migrou para a Coreia do Norte ainda criança, integrando a população Zainichi.
  • Ko tornou-se amante de Kim Jong Il, teve três filhos e viveu afastada da capital; não foi reconhecida como nora pelo fundador Kim Il Sung.
  • O segredo sobre a mãe e a possível illegitimidade histórica ajudam a explicar decisões públicas, como a apresentação de Ri Sol Ju, e a persistente especulação sobre a linha de sucessão.

A origem de Kim Jong Un continua envolta em segredo, especialmente a identidade de sua mãe, Ko Yong Hui. Desde que assumiu o poder, o líder norte-coreano nunca citou o nome dela publicamente. O regime associa a legitimidade ao chamado sangue de Mount Paektu.

Esse linaje está ligado ao fundador mítico da Coreia e à narrativa de pureza hereditária defendida pelo regime. A mãe de Kim é vista como tabu central, cuja origem pode colocar em xeque a narrativa oficial sobre a dinastia.

Ko Yong Hui nasceu em Osaka, no Japão, em 1952, segundo relatos. Seus pais eram coreanos originários de Jeju, e a família era classificada como zainichi, imigrante na era japonesa colonial. Em torno de 10 anos, mudou-se para a Coreia do Norte.

Mudança de tema: trajetória de Ko e o regime

Ao chegar à Coreia do Norte, Ko integrou a elite Mansudae, grupo artístico de destaque. A imprensa de Pyongyang não revelou seu nome nem seu status de songbun, mantendo o segredo sobre a linha materna de Kim.

Rios de informações indicam que Kim Jong Il, então herdeiro, teria se interessado por Ko por sua beleza e talento, enquanto já era alvo de casamentos combinados. Ela, porém, não foi reconhecida como nora pelo regime.

Ko passou a viver em Wonsan, longe de Pyongyang, com seus filhos. Embora não houvesse anúncio oficial de casamento, ela manteve posição de influência junto ao círculo próximo de Kim Jong Il.

A sucessão e a legitimidade

Kim Jong Il teve filhos com várias pessoas, incluindo Ko, e a disputa pela linha de herdeiros foi marcada por intrigas internas. Kim Jong Nam, filho de outra amante, chegou a ser apontado como possível herdeiro, mas perdeu apoio após desentendimentos com o regime.

Jong Un, beneficiado pela relação com Ko, assumiu a posição de herdeiro e, em 2011, tornou-se líder da Coreia do Norte. Analysts destacam que ele recebeu poderes amplos e, hoje, é auxiliado pela irmã Kim Yo Jong.

A família mantém o controle da narrativa pública, inclusive sobre fotos e aparições. A atual liderança evita discutir a presença de Ko Yong Hui, o que alimenta debates sobre a legitimidade da dinastia.

Implicações atuais

Autonomia de decisão de Kim Jong Un pode ter sido moldada pela suposta origem materna, que permanece invisível para o público. Especialistas indicam que o segredo influencia tradições de genealogia e celebrações oficiais.

A despeito da ausência de confirmação, a percepção sobre a herança de Kim continua a moldar políticas e símbolos do regime. A revelação da mãe de Kim, se ocorrer, poderia provocar questionamentos sobre a legitimidade da liderança.

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