- Após a reunificação, a população da Alemanha cresceu 5% no país, principalmente por imigrantes, mas as cinco antigas regiões da RDA tiveram queda de 16%.
- Saxônia-Anhalt registra a maior retração demográfica entre os estados da antiga RDA, com queda de 26%.
- A tendência de envelhecimento da população leva a projeções de menos pessoas no conjunto da população até 2070, especialmente no leste, fora Berlim.
- A decréscimo populacional pode favorecer o AfD, partido de direita, especialmente em Saxônia-Anhalt, onde há potencial maioria em eleições.
- Especialistas dizem que queda de população aumenta descontentamento com infraestrutura e governo, embora mais imigrantes possam, em teoria, ajudar a estabilizar a demografia.
A pandemia de demografia está revelando antigas divisões na Alemanha. Se, após a reunificação, o país viu a população crescer 5%, puxada pela imigração, as regiões do antigo Leste sofrem queda de 16% fora de Berlim Este, segundo dados oficiais publicados no ano passado. A redução é mais acentuada em Saxônia-Anhalt, com queda de 26%, refletindo o êxodo de população e a migração para o Oeste.
O território leste enfrenta ainda o chamado “fuga de cérebros” aliado a taxas de natalidade baixas, o que agrava o envelhecimento da população. Em Brandenburg, que envolve Berlim, o êxodo é menos intenso por conta de spillover da capital. Os especialistas apontam que o desequilíbrio entre jovens e idosos pode reduzir a força de trabalho e pressionar serviços públicos.
AfD pode formar governo em Saxônia-Anhalt
A AfD tem pedido espaço no parlamento regional de Saxônia-Anhalt, onde aparece com mais de 40% das intenções de voto, segundo pesquisas, abrindo a possibilidade de um governo estadual pela primeira vez no partido. O cenário tem sido alvo de debates sobre o impacto de regiões com grande declínio populacional na política nacional.
Dados de 2023 indicam que a ala regional do partido já foi classificada como extremista de direita pela inteligência interna, o que complica a atuação institucional da legenda. O programa da AfD no estado enfatiza incentivos para famílias, com propostas como pagamentos de bônus por nascimento, em vez de políticas migratórias amplas.
Especialistas observam que a preferência por soluções antimigração pode encontrar apoio entre eleitores de áreas afetadas pela queda populacional. Pesquisadores lembram que tais contextos costumam alimentar desconfianças em relação ao sistema político e à imigração, ainda que a imigração tenha potencial para estabilizar a demografia regional.
Análises indicam que a dinâmica demográfica influencia a percepção sobre políticas públicas, como infraestrutura, empregos e serviços de assistência à família. Observa-se que, conforme o envelhecimento avança, caberá às autoridades adaptarem políticas de apoio a mães, pais e cuidadores, com foco em educação infantil e moradia.
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