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Mercosul em cenário adverso para Lula, aponta relatório

Mercosul enfrenta cenário regional de direita; Brasil busca manter influência, enquanto acordo com a União Europeia avança provisoriamente e combate ao crime é pauta comum

Lula chega ao Mercosul num momento em que governos simpáticos a Trump assumem na América do Sul - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
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  • Lula chega a Assunção, no Paraguai, para a cúpula do Mercosul, em meio a um cenário político adverso na região, com governos de direita na maior parte dos países vecinos.
  • A presidência do bloco deve sair de Santiago Peña (Paraguai) para Yamandú Orsi (Uruguai); espera-se definição sobre a adesão de Peru e Colômbia ao Mercosul e seu alinhamento com os Estados Unidos.
  • O Brasil aposta que, apesar das disputas ideológicas, questões econômicas, como o acordo com a União Europeia, pesam mais e devem sustentar o bloco.
  • A agenda inclui combate ao crime organizado, com foco em organizações como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, ligadas a operações de coca na Colômbia e no Peru.
  • Também será discutido o terremoto na Venezuela, com quase mil mortos e mais de cinquenta mil desaparecidos; não há interesse em reintegração do país ao Mercosul.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Assunção, no Paraguai, para a cúpula do Mercosul. A pauta ocorre em um cenário político adverso, com vários parceiros do bloco se aproximando de governos de direita e alinhamento com Washington. A viagem visa confirmar posturas e movimentos do grupo diante dessas mudanças.

Entre os integrantes do Mercosul, apenas Brasil e Uruguai são considerados progressistas no momento. A presidência do bloco deve ser transferida do Paraguai, hoje sob Santiago Peña, para o uruguaio Yamandú Orsi. A expectativa brasileira foca nos próximos passos de Peru e Colômbia, cujos governos não anunciaram ainda sua adesão plena ao Mercosul.

Cenário político no Mercosul

Fontes do Ministério das Relações Exteriores destacam que Keiko Fujimori, no Peru, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia, costumam defender relações estreitas com o governo dos Estados Unidos. O tema é relevante, pois ainda não há confirmação de seus compromissos formais com o bloco.

A avaliação interna aponta que, apesar da guinada direita na região, o Brasil vê economia como ponto essencial para manter o bloco unido. O acordo com a União Europeia, em vigor de forma provisória desde maio, é visto como trunfo para compensar tensões políticas entre os países.

Combate ao crime organizado

A cúpula também trata da cooperação no combate a organizações criminosas. Cartéis colombianos e facções brasileiras possuem ligações com atividades de drogas e exportação para EUA e Europa. As divergências ficaram mais evidentes em propostas de enfrentamento, mas o tema permanece prioritário para todos.

O bloco discute ainda estratégias para enfrentar redes de tráfico, com foco em logística de exportação e cooperação policial entre os países membros e associados. A validação de planos de ação comuns é considerada essencial para manter a integridade da parceria regional.

Venezuela e desastres naturais

Outro tópico tratado é o terremoto na Venezuela, que vitimou quase mil pessoas e deixou mais de 50 mil desaparecidos. Embaixadora Gisela Figueiredo Padovan destacou que a região discute como se preparar para desastres, sobretudo diante de cenários de crise humanitária.

A embaixadora também afirmou que não há discussão, no semestre, sobre a suspensão ou retorno da Venezuela ao Mercosul. Segundo ela, o bloco mantém o foco em assuntos de cooperação e estabilidade regional, sem abrir espaço para mudanças rápidas nesse aspecto.

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