- A França registrou aproximadamente mil mortes a mais em apenas três dias devido à onda de calor, segundo o Ministério da Saúde.
- Em 23 de junho, o serviço meteorológico marcou 44,3ºC em Pissos, dia mais quente desde o início das medições em 1947.
- O Ministério informou mais de 1.200 mortes em 24 de junho, 1.400 em 25 de junho e outras 1.400 em 26 de junho (dados ainda não finalizados).
- Região com maior impacto: Île-de-France, Nouvelle-Aquitaine, Bretanha, Centro-Vale do Loire, Normandia e País do Loire; 85% das mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.
- O aumento ocorreu principalmente em hospitais, casas de repouso e residências; mortes em casa subiram 40% e os números são baseados em atestados de óbito eletrônicos, o que não cobre todos os casos.
O Ministério da Saúde da França informou que, em apenas três dias, houve um excedente de cerca de 1.000 mortes atribuídas a causa desconhecida, sob efeito de uma onda de calor extremo que atingiu o país neste fim de semana. O registro abrange o período de quarta-feira até domingo (23 a 28/06), quando temperaturas acima de 40°C foram observadas em várias regiões. O pico ocorreu em 23 de junho, com 44,3°C em Pissos, o dia mais quente desde o início das medições, em 1947.
A gravidade da onda de calor ficou perceptível nos números oficiais: mais de 1.200 mortes por todas as causas em 24 de junho, 1.400 em 25 de junho e outras 1.400 em 26 de junho. Pela média histórica de abril e maio, a incidência diária fica entre 900 e 1.000 óbitos. O Ministério afirmou que o aumento concentra-se especialmente em áreas sob alerta vermelho, como Île-de-France, Nouvelle-Aquitaine, Bretanha, Centro-Val de Loire, Normandia e País do Loire.
Idosos foram os mais afetados: 85% das mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais. Em hospitais, casas de repouso e residências houve elevação de óbitos, com um salto de 40% em registros domiciliares. O órgão ressaltou que os números se baseiam apenas em atestados de óbito eletrônicos, representando cerca de 60% da mortalidade nacional, com mortes em casa ainda como ponto cego.
Impacto demográfico e medidas de proteção
O relatório aponta que o calor intensificou o uso de serviços de saúde e casas de repouso. As autoridades destacam a necessidade de ações de solidariedade para pessoas isoladas, sobretudo em áreas urbanas densas. O governo continua acompanhando a evolução dos dados, que ainda não são definitivos.
Contexto climático
Chefes de clima da ONU responsabilizaram as mudanças climáticas pela intensidade da onda de calor, associando-a a infraestrutura inadequada. A especialista da UE, Samantha Burgess, explicou que massas de ar quente do norte da África, mantidas por alta pressão, impedem a entrada de ar mais frio, elevando temperaturas. As autoridades reiteram que esse tipo de evento tende a se tornar mais frequente com a atuação humana sobre o clima.
A França registrou uma redução momentânea das temperaturas neste domingo, após dias com marcas superiores a 40°C. A onda de calor também impactou eventos públicos: a Parada LGBTQ+ de Paris, prevista para o fim de semana, foi adiada devido às altas temperaturas. Dados oficiais continuam a ser atualizados à medida que novos atestados são processados.
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