- O regulador de mídia do Paquistão suspendeu a licença de transmissão do Geo News por 15 dias, por conteúdo considerado ofensivo durante o Muharram.
- A emissora informou que o material foi exibido por engano, foi removido de todas as plataformas e mostrava rituais no Iraque e no Oriente Médio para ilustrar costumes locais.
- O órgão afirmou que as imagens poderiam ofender sentimentos religiosos, comprometer a harmonia religiosa e perturbar a ordem pública, e abriu uma investigação interna.
- Em Islamabad, moradores criticaram a transmissão e o caso foi encaminhado ao Conselho de Reclamações.
- O Paquistão é alvo de críticas sobre liberdade de imprensa; a Repórteres Sem Fronteiras situou o país em 153º lugar entre 180 na edição de 2026 do Índice.
O regulador de mídia do Paquistão suspendeu a licença de transmissão do Geo News por 15 dias, por conter conteúdo que poderia ofender sentimentos religiosos durante o Muharram. A medida foi anunciada no sábado, após a exibição de um programa na sexta-feira.
Segundo o órgão regulador, o canal mostrou representações visuais de natureza religiosa que poderiam comprometer a harmonia religiosa e a ordem pública. A suspensão é uma atuação administrativa padrão diante de conteúdo considerado inadequado para o período sensível do calendário islâmico.
A Geo News informou, em comunicado divulgado neste domingo, que o material foi exibido por engano e já foi removido de todas as plataformas. A emissora afirmou que as imagens mostravam rituais praticados no Iraque e no Oriente Médio para ilustrar costumes locais, sem endosso a qualquer visão religiosa.
Contexto e desdobramentos
Em Islamabad, moradores reagiram à suspensão. O morador Imran Khan defendeu punição aos responsáveis e impetração de multa elevada, além de experiência de prisão mínima de três anos. Outro morador, Mohammad Zia, pediu suspensão de pelo menos seis meses para dissuadir veículos semelhantes.
Representações do Profeta Maomé e de outras figuras reverenciadas são tema sensível no Paquistão, onde protestos já ocorreram após publicações de charges. Autores de conteúdo podem desencadear rebuliço público, especialmente durante o Muharram, que exige medidas de segurança reforçadas.
O regulador informou que a Geo falhou em cautela editorial e abriu uma investigação interna. O caso foi encaminhado ao Conselho de Reclamações da agência, que atua para esclarecer responsabilidades. A decisão também se soma a um histórico de ações sobre liberdade de imprensa no país.
Contexto institucional
A situação ocorre em meio a críticas internacionais sobre a liberdade de imprensa no Paquistão, com canais de televisão enfrentando ações regulatórias e interrupções de transmissão. A organização Repórteres Sem Fronteiras classifica o Paquistão em 153º lugar entre 180 países no índice de liberdade de imprensa de 2026.
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