- Nabih Berri, presidente do Parlamento do Líbano, criticou o acordo mediado pelos EUA entre Líbano e Israel, dizendo que ele pode dividir os libaneses e que não será implementado.
- O governo de Beirute vem adotando, desde 2025, uma política voltada ao desarmamento do Hezbollah, após o grupo ter sido enfraquecido na guerra de 2024 contra Israel.
- O texto do acordo prevê que as Forças Armadas libanesas assumam controle do território gradualmente conforme o desarmamento de grupos não estatais, o que permitiria a retirada progressiva de tropas israelenses.
- O Hezbollah rejeita o entendimento, classifica-o como rendição a Israel e afirma que Beirute não deve negociar diretamente com o governo israelense.
- Israel elogiou o acordo, dizendo que pode manter a presença no sul do Líbano se o Hezbollah não se desarmar; houve relatos de ataques a centros de comando do Hezbollah e de um túnel de 200 metros destruído pela manhã.
O governo do Líbano tem adotado desde 2025 uma política de desarmar o Hezbollah, fortalecida após o grupo ter sido fragilizado na guerra de 2024 contra Israel. Nesta segunda-feira, Nabih Berri, presidente do Parlamento e aliado do Hezbollah, criticou um acordo mediado pelos EUA entre Líbano e Israel, dizendo que ele pode fomentar divisões internas e que não será implementado.
Berri disse, ao jornal al-Akhbar, que as negociações entre Irã e EUA são a única oportunidade realista para a retirada israelense do Líbano. Segundo ele, desvincular a questão libanesa das tratativas Washington-Teerã prolongaria a ocupação israelense no sul do Líbano.
Israel ocupa o sul do Líbano desde a guerra que começou em 2 de março, quando o Hezbollah reagiu a ataques dos EUA e de Israel em solidariedade a Teerã. O conflito tornou-se tema central de debates diplomáticos envolvendo EUA, Irã e as partes libanesa e israelense.
Desdobramentos diplomáticos
O acordo, assinado na sexta-feira em Washington pelos embaixadores do Líbano e de Israel, prevê que as Forças Armadas libanesas assumam controle do território conforme verifica o desarmamento de grupos não estatais. O texto aponta que o Exército libanês passará a gerenciar zonas-piloto, abrindo caminho para retirada gradual de tropas israelenses.
Berri classificou o entendimento como uma imposição e alertou sobre o risco de incitar divisões internas entre libaneses. O jornal al-Akhbar citou que ele afirmou não haver implementação do acordo.
O governo libanês, liderado pelo presidente maronita Joseph Aoun e pelo premier Nawaf Salameh, defende negociações diretas com Israel, ainda que haja forte oposição do Hezbollah. As autoridades pedem continuidade com a mediação internacional para encerrar o conflito.
Os EUA apoiam negociações separadas entre governos libanês e israelense, com Beirute participando apesar da objeção do Hezbollah. O acordo também é visto como parte das tentativas de encerrar o conflito regional envolvendo EUA, Irã e aliados na região.
Ações no terreno
Na véspera, Israel informou ter destruído um túnel de 200 metros no sul do Líbano e atacado três centros de comando do Hezbollah, em resposta a violações do cessar-fogo. O Hezbollah afirmou respeitar o cessar-fogo até o momento e garantiu o direito de se defender.
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