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Engenheiros pedem auditoria em conjuntos habitacionais públicos na Venezuela

Engenheiros pedem auditoria rápida em conjuntos habitacionais públicos da Venezuela, citando décadas de negligência e risco de novos desabamentos

Uma vista aérea feita por drone mostra edifícios destruídos por terremotos em La Guaira, Venezuela, em 26 de junho de 2026 — Foto: Reuters
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  • Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram La Guaira, destruindo parte do conjunto habitacional Los Cocos, que tem cerca de 1.100 apartamentos.
  • Engenheiros pedem que o governo faça rapidamente uma auditoria em conjuntos habitacionais públicos semelhantes para verificar segurança e evitar novas mortes.
  • Especialistas apontam décadas de negligência, fiscalização fraca das normas de construção e licenciamento inadequado como fatores que agravaram o número de vítimas, além da instabilidade do solo local.
  • O governo criou uma comissão para avaliar as estruturas danificadas, mas as inspeções ainda não começaram, gerando frustração entre especialistas.
  • Segundo técnicos, as obras foram erguidas com apoio de estatais, empresas de países como China, Turquia e Belarus, sob supervisão militar e com pouca transparência, o que contribuiu para falhas e riscos futuros.

Diante de dois abalos sísmicos que devastaram parte de La Guaira, engenheiros pedem auditoria rápida em conjuntos habitacionais públicos semelhantes. O foco é o conjunto Los Cocos, erguido próximo à praia, que sofreu danos significativos. Especialistas apontam a necessidade de checagens técnicas para evitar novas tragédias.

Moradores relatam perdas diretas: um apartamento inteiro desalojado e a sensação de que a situação poderia ter sido ainda pior. Um morador que estava em atendimento médico na hora do tremor relatou ter sobrevivido ao desab apenas por estar fora do prédio.

Especialistas indicam que décadas de negligência, fiscalização fraca das normas de construção e licenciamento irregular durante os governos de Chávez e Maduro contribuíram para o cenário. A instabilidade do solo em La Guaira é citada como fator agravante na região costeira.

As autoridades se reuniram com a principal entidade de engenharia do país, mas não iniciaram as inspeções oficiais. A presidenta interina criou uma comissão para avaliar estruturas danificadas, porém sem prazo definido para começo das avaliações.

Engenheiros civis voluntários já ofereceram apoio técnico à população. Dados iniciais indicam que muitas obras não seguiram normas, mas são necessários estudos para entender por que algumas estruturas resistiram ao abalo enquanto outras cederam.

La Guaira registra histórico de desastres: deslizamentos de 1999 destruíram comunidades inteiras, com mortos estimados entre 10 mil e 30 mil. A geografia de encostas íngremes e faixa costeira aumenta a vulnerabilidade sísmica da região.

Profissionais destacam que solo pouco consolidado pode amplificar impactos sísmicos, dificultando a estabilidade de construções antigas ou mal executadas. Leis de construção foram atualizadas após 1999, mas a fiscalização permaneceu como desafio.

Conteúdo técnico aponta que muitos empreendimentos foram erguidos rapidamente por meio de parcerias entre o governo e empresas internacionais, com supervisão militar e pouca transparência. Tal cenário estimula desconfianças sobre a qualidade das obras.

Especialistas ressaltam que a ausência de fiscalização eficaz serve de impulso para falhas em obras privadas, agravando riscos em desastres futuros. Em comparação, países com normas mais rigorosas enfrentam menos vítimas em tremores de magnitude similar.

O número de mortos e feridos sobe conforme equipes de resgate trabalham nos escombros. Organizações da sociedade civil têm reunido listas de desaparecidos, ampliando o monitoramento público sobre a tragédia.

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