- Espanha recebe mais de um milhão de pedidos de regularização de imigrantes, com ONGs incentivando registros antes do prazo de terça-feira (30).
- Até sexta-feira, o total de solicitações chegou a 1,27 milhão, perto do dobro do esperado pelo governo.
- A regularização envolve autorização de residência de um ano; cerca de 840 mil trabalhadores atuam sem registro e pode levar mais de um ano para obter status legal.
- Obstáculos incluem documentação de origem de Mali, Irã e Venezuela; venezuelanos enfrentam atrasos para certidões de antecedentes criminais; governo não cogita prorrogar o prazo.
- ONGs alertam que até 20% dos pedidos podem ser rejeitados; plataformas de aplicativos apresentaram problemas, dificultando o registro de alguns migrantes.
A Espanha recebe mais de um milhão de pedidos de regularização de imigrantes. ONGs intensificaram a mobilização nos últimos dias para que indocumentados se registrem antes do prazo final na terça-feira, 30 de junho. O objetivo é acessar um programa de residência de um ano, apesar de a documentação nem sempre estar completa.
O esforço envolve CEAR e Cepaim, que orientam migrantes de Mali, Irã e Venezuela a apresentarem os pedidos mesmo com documentos pendentes. Equipes jurídicas revisaram cadastros para evitar falhas que comprometam a elegibilidade na última hora.
Entre abril e junho, o governo espanhol registrou números próximos do dobro do esperado, chegando a cerca de 1 milhão de cadastros. Na sexta-feira anterior ao encerramento, a soma já ultrapassava 1,27 milhão, segundo representantes de sindicatos de imigração.
Obstáculos e desafios
Especialistas apontam dificuldade para regularizar documentos emitidos em consulados de países impactados por conflitos, como Irã e Mali. Mudanças na política de asilo obrigaram a obtenção de certidões de antecedentes, encurtando o tempo disponível para reunir documentos.
Venezuelanos enfrentam atrasos na obtenção de certidões e de apostilhas, enquanto o Ministério da Migração indica não ter planos de prorrogar o prazo. ONGs alertam que a falta de documentos pode levar a rejeições.
Silvana Cabrera, de uma ONG em Valência, cita falhas nas plataformas digitais de inscrição, aumentando a angústia de migrantes. A organização CEAR defende uma solução permanente para evitar que pessoas aguardem anos pela residência.
José Luis Quiroga, migrante colombiano, pediu registro por recomendação de uma ONG. Embora não haja garantia de aprovação, ele vê como injusta a possibilidade de perder o direito por atraso de poucas horas.
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