- Representantes do Irã e de Omã se reuniram pela primeira vez desde o acordo entre Teerã e Washington para discutir o controle do Estreito de Ormuz, com as discussões técnicas previstas sobre o protocolo e a suspensão de ataques para permitir a livre circulação de navios.
- Os Estados Unidos anunciaram, no fim de semana, a suspensão dos ataques com o Irã e a retomada das negociações.
- Omã rejeitou a ideia de taxas de passagem e propôs a criação de um corredor marítimo temporário, uma iniciativa apresentada como coordenada com a ONU.
- O Irã e Omã disputam a soberania sobre o estreito, embora a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garanta a liberdade de passagem pelos estreitos usados na navegação internacional.
- Israel manteve ataques no Líbano, destruindo um túnel do Hezbollah, enquanto o governo libanês e o Hezbollah resistem a acordos para a retirada israelense sob condições atuais.
Representantes do Irã e de Omã reuniram-se pela primeira vez desde a assinatura do acordo com Washington para discutir o controle do Estreito de Ormuz. O encontro ocorreu nesta segunda-feira (29), segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã. No dia anterior, os EUA anunciaram suspensão de ataques ao Irã e retomada das negociações.
Segundo um responsável americano próximo às tratativas, as discussões técnicas devem seguir para todos os pontos do protocolo. As partes vão interromper ataques por um período, permitindo a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz e áreas adjacentes.
O Irã rejeitou a notícia de Omã sobre a criação de uma rota de navegação temporária coordenada com a ONU para retirada de marinheiros e navios bloqueados. De acordo com Omã, dezenas de embarcações já utilizaram a passagem na semana.
Ataques recentes deixaram dois navios atingidos por projéteis de origem desconhecida desde quinta-feira. O Exército dos EUA responsabilizou Teerã pelos incidentes, que levaram a bombardeios dos EUA contra o Irã por dois dias. O Irã respondeu com mísseis e drones contra vizinhos do Golfo.
O Irã não descarta a cobrança de taxas de passagem, ideia rejeitada pelos EUA. Washington sustenta que o Estreito é uma via navegável internacional, ainda que esteja próximo às costas iranianas e de Omã.
Omã afirmou que não há taxas previstas nos futuros acordos. O governo do sultanato mencionou a criação de um corredor marítimo temporário, apresentado como iniciativa coordenada com a ONU. Debates estão marcados para terça-feira, no Catar, para alinhar a rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial.
Conflitos sobre soberania persistem. Embora iranianos e omanenses reivindiquem controle, a CNUDM de 1982 assegura o direito de passagem em trânsito pelos estreitos usados pela navegação internacional, como Ormuz, fundamental para ligar o Golfo ao mundo.
O texto não foi ratificado por Teerã. A ONU estabelece liberdade de navegação para navios e aeronaves com trânsito contínuo pelo estreito. Ormuz teve a passagem parcialmente liberada na última semana após bloqueio inicial da guerra.
Depois do memorando com os EUA em 17 de junho, o Irã autorizou apenas um corredor ao longo de sua costa e alertou sobre possíveis atrasos na reabertura do estreito. Abbas Araghchi ressaltou que somente o Irã é responsável pela gestão e que ingerência externa pode ampliar tensões.
Ataques israelenses no Líbano
No Líbano, Israel manteve a ofensiva mesmo após a assinatura de um acordo de paz em Washington. O premiê Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz divulgaram que o exército destruiu um túnel do Hezbollah no sul do país.
A agência libanesa ANI informou bombardeios, enquanto o Ministério da Saúde indicou dois feridos após uma granada lançada por forças israelenses em uma localidade no sul.
Nabih Berri, presidente do Parlamento libanês, aliado do Hezbollah, afirmou que o acordo com Israel não será adotado no formato atual. O grupo xiita rejeita o acordo e afirma defender a pátria diante dos ataques.
O acordo prevê retirada israelense do Líbano condicionada ao desarmamento do Hezbollah, exigência que Beirute tem dificuldade em cumprir. O conflito no país se intensificou desde março, quando o Hezbollah intensificou ações em apoio ao Irã.
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