- Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, derrubando prédios e o principal aeroporto; mais de 430 réplicas foram registradas até sábado.
- Até a tarde de sábado, quase 3.240 feridos e cerca de 1.430 mortes foram confirmados no país, com La Guaira entre as regiões mais afetadas.
- O sistema de saúde, já fragilizado pela crise econômica, enfrenta falta de insumos, leitos reduzidos e profissionais que migraram do país.
- A resposta internacional ganhou ritmo: 17 voos com mais de 1.600 profissionais de resgate; os EUA enviaram navios militares e hospitais de campanha devem chegar; CAF abriu fundo de recuperação.
- Médicos relatam desidratação, rabdomiólise e amputações entre pacientes; organizações humanitárias promovem doações, telemedicina e apoio logístico para atender a demanda.
O sismo na Venezuela, com magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreu na noite de quarta-feira, em um intervalo de cerca de um minuto. O abalo atingiu principalmente La Guaira e cidades próximas, derrubando edifícios e impactando o principal aeroporto do país. O desastre deixou milhares de feridos e um legado de danos graves.
As autoridades informaram, até a tarde de sábado, quase 3.240 feridos e o número de mortos próximo de 1.430 em todo o território. Mais de 430 réplicas já haviam sido registradas. A primeira resposta envolveu pacientes com lesões por esmagamento e fraturas graves.
A crise se agrava com o funcionamento precário do sistema de saúde. La Guaira recebeu pacientes amontoados em salas lotadas, com iluminação precária e áreas externas improvisadas para atendimento. Médicos alertam para riscos de infecções, lesões renais e traumas psicológicos.
Ameaça à assistência médica
Antes do terremoto, hospitais já enfrentavam escassez de suprimentos, leitos e equipamentos. Perto de 30% dos médicos e 70% dos enfermeiros teriam deixado o país na última década, segundo dados citados por especialistas. O quadro compromete a capacidade de resposta imediata.
Em Caracas, equipes hospitalares intensificaram o atendimento. Pacientes chegaram desidratados ou com complicações por ficar dias sob escombros, alguns necessitando de amputações. Médicos passaram a organizar atendimentos fora dos prédios, com apoio de voluntários.
Esforços nacionais e internacionais
A presidente interina Delcy Rodríguez informou a restrição de acesso a La Guaira para manter operações de resgate e higiene pública, incluindo o manejo de corpos. Ao mesmo tempo, a resposta internacional ganhou ritmo, com voos humanitários e equipes de resgate chegando ao país.
Até sábado, 17 voos com mais de 1.600 profissionais de resgate chegaram; 25 embarcações e equipes adicionais estavam previstas. Os EUA enviaram dois navios militares para logística e transferências de pacientes. Hospitais móveis de campanha também devem chegar.
Apoio financeiro e logístico
Washington anunciou US$ 150 milhões em ajuda humanitária, com pacote adicional a ser definido. A CAF criou um fundo de recuperação com US$ 1 milhão, somando-se a US$ 300 mil já anunciados. Organismos internacionais pedem mobilização de recursos adicionais.
Locais de assistência expandem-se. Condutas de doação variam entre clínicas privadas abrindo portas e instituições regionais reforçando estoques de medicamentos. Organizações internacionais aceleram entregas de suprimentos a La Guaira e Miranda.
Situação humana e perspectivas
Especialistas destacam que a tendência é de mudança do foco da crise, com pacientes sobreviventes apresentando desnutrição, rabdomiólise e necessidade de reabilitação. Equipes médicas e voluntários mantêm atendimento de emergência e cuidados básicos.
Médicos de apoio relatam que o movimento de pessoas desaparecidas e localizadas segue intenso, com registros mantidos por civis e organizações da sociedade civil. A situação permanece sob monitoramento, com esforços contínuos para ampliar a assistência.
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